
Quem me dera acordar assim todos os dias… Despertei pelas 7h da manhã e espreitei pela janela… Fácil! Foi só levantar o pescoço para cima. O comboio estava parado e levantei-me mais um bocadinho, encavalitando-me na janela… Do que se via, parecia que estávamos por cima de uma ponte… em baixo a vista para o lago onde se viam uns campistas junto ás margens a tomar banho..
Nem pensei mais um segundo! De um salto sai da cama e fui buscar o biquini e a roupa… Tive de saltar o ritual do banho! Por estarmos numa reserva natural o comboio não pode andar muito depresa, o que faz com que não haja força suficiente para fazer chegar a água aos duches. Bonito! Banhinho que é bom, nem vê-lo hoje!
Estava aquela aragem da manhã e ao mesmo tempo uma neblina agradável que conferia áquela imagem a pimenta que faltava para ser perfeita. Comecei a descer a pequena elevação que ia dar a um aglomerado de casinhas… não mais do que umas seis.
Reencontrei-me com o lago com a alegria de quem não vê um grande amigo há muito tempo e senti as pálpebras a tremer por sentir os olhos que reflectiam sobre aquele quadro romanceado. Não faltava nada… As montanhas que explodiam de verde, a brisa que se ondulava pelas folhagens e um barco atracado nas margens. Parecia um quadro pintado pelas mãos de um poeta..
Nesta pequenina aldeia vivem meia dúzia de siberianos e com quem me cruzei, reconheci no olhar uma certa candura… Foi como se seus olhos me revelassem a inocência da ignorância.. Não resisti a captar o olhar de uma senhora de sorriso simpático, já marcado pela idade..
Subi novamente até ao comboio, desci do outro lado e segui até á zona onde tomavam banho.
Diz a lenda que quem toma banho no Lago Baikal fica jovem toda a vida e não podia resistir á possibilidade remota de ser verdade.
Foi-nos, entretanto, feito o convite (convite pago) para irmos na carruagem da frente, na parte exterior para vermos a paisagem.
O comboio ia devagar ao longo das margens do lago e aproveitei-me do céu solarengo que provocava a beleza da água. Ambos se debatiam pela primazia. Não consegui decidir. A conjuntura da “coisa” fez-me crer que o todo pode ser a soma das partes…
O almoço foi um barbecue animado. Os empregados do comboio juntaram-se e cantaram para nós. Uma das empregadas, já mais sénior, muito alegre puxava por nós. Nem mesmo os mais novos tinham tanta vida como esta senhora!
Seguimos para uma pequena localidade junto ás margens do Baikal de barco. Pudémos visitar um museu e uma igreja.
Mas de hoje o que retenho é o lago.
O lago Baikal é o maior lago de água doce do mundo. Já sabia disto, mas não sabia que era assim tão imenso. Parece o oceano… não se vê terra.
Neste momento estou a escrever sentada na cabine e tenho como pano de fundo o pôr do sol sobre esta lago… que inspiração divina..
O comboio parou agora.
Sinto o cansaço a correr-me no corpo. Dormi pouco, comi mal. Mas a alma ficou alimentada porque o que os meus olhos viram deleitaram-me o paladar. Que dia agradável.
Vou dormir sob este céu estrelado.
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