terça-feira, 15 de outubro de 2013

A drapejar

E porque é que se arrisca a perder tudo quando se pensa que ter pés é sensato?
A drapejar, conto-te eu que sei, é que se é feliz…
Mas e se te dizem que é melhor não ires que devias ouvir os pareceres sensatos das pernas intactas, daquelas que ainda conservam os pés – na terra – daquelas que não dobram a esquina, só porque apareceu ontem no mapa, daquelas que não chutam as pedras porque o dia não foi perfeito…
Às vezes… quando bato com a cabeça no passeio e o sangue se desdobra na calçada, chego a pensar que deveria ter ficado naquele dia igual a todos… naquele dia em que acordo e bebo leite e como pão e vou trabalhar, ou não, ou não…
Há dias… que sei que devo quebrar as correntes só para lhes sentir a dimensão sobre a casca esfolada.
Amanhã, também, não dobro a esquina.

Amanhã os pés crescem e desvio-me das pedras que hei-de encontrar no caminho.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

É da hora que a perco

É da hora que a perco

Longas horas…

São castas essas horas que me levam para fora,

São rígidas dos botões que me apertam por dentro

Sei dos rebentos que me seguem neste acanhamento

Por dentro, por dentro…



É de fora que fico neste vazio

Tão longe…

São estradas enchentes feitas de nada,

São robustas das veias que me secam a boca

Sei das prisões que me estreitam a sinfonia

Até um dia, até um dia…