
Mais uma cidade da Sibéria.
É uma cidade de estudantes. Concentra-se aqui grande número de Universidades e investigadores que estão na chamada “Cidade dos Cientistas”.
E não é que temos neste grupo tantos doutores?! Sabem tanto… Incrivel como quando se juntam sabem sempre uns mais que outros… “Agora cale-se que eu vou falar!”, disse alguém num almoço com uma agressividade estonteante. Pensei vir dali uma revelação inovadora, tal era a convicção da senhora para falar… hummm… afinal…
Pensei que estas coisas eram de miudos… que ser adulto significava tudo menos “bater o pé”.
Visitámos o Museu dos Caminhos de Ferro. Fiquei a pensar como foi possivel pôr aqueles monstros a trabalhar imaginando quantos cavalos seriam precisos para puxar aquelas carruagens. Pareciam elefantes que se erguem no meio da savana, grandes, poderosos mas lentos. Creio que se quisessem fugir não podiam, tal o peso que lhes pertence.
A Novosibirsk é mais uma cidade na Sibéria. Não senti nenhum impacto, verdadeiramente importante.
Neste caso creio que se organizasse a visita de forma diferente ganhariamos mais com isso. Ou talvez na verdade, apesar de ser a 3ª maior cidade da Sibéria não tenha mesmo nada de especial para ver.
Precisava aqui de uma ajuda do casal de engenheiros que sempre me esclareciam e ajudavam a complementar a história que os guias contavam, dando mais consistência aos trechos que eu ia absorvendo das longas ladainhas que se proliferavam pelo micro.
Muito bonita a engenheira, com o ar maternal que eu precisei de ver a certa altura no comboio. Naquela certa altura que a rigidez do meu avô emergiu que nem lava de vulcão.
Fica sempre com aqueles olhos a sairem-lhe das órbitas e eu na ambiguidade de me querer impôr e de achar que não vale a pena. Para quê dificultar-lhe a vida, que ao fim ao cabo, não sei quanto tempo será. Para quê, se tanto lhe devo? Sinto sempre que devo resistir á ira e deixar passar.
Naquele dia, os meus 29 anos tornaram-se pequenos. Sentia-me uma menina pequena que queria o colo da mãe. As lágrimas forçavam-se a sair e eu não lhes consegui fazer frente nem as consegui esconder da mãe, que não era minha mas que pela distância a encarnou. Tão amavelmente e também com lágrimas nos olhos me estendeu a mão e me levou para a sua cabine.
Ali me deixaram, ela e o marido, para eu encontrar a paz que sempre busco.
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