sábado, 8 de agosto de 2009

TRANSIBERIANO - 30/07/2009 - 8º Dia – Irkutsk (+8h que em Lisboa)


Mais uma hora no relógio. Menos uma hora de sono. Assim a diferença horária até se suporta bem. Passa por nós de forma subtil.


Esta viagem tem sido muito diferente das que estou habituada. Quase sempre vamos sem nada muito organizado… os hotéis marcados, os vôos comprados mas pouco mais. O resto vai-se fazendo, vai-se descobrindo e regemo-nos pelas vontades do momento.


Aqui isso não se poderia passar. A média de idades das pessoas que fazem esta viagem deve estar acima dos 50 anos e acredito que se chega a uma idade que não se está para alguns sacrificios. E se há dinheiro, o Transiberiano é uma boa opção.


A heterogeneidade do nosso grupo é tão grande que consigo encontrar pessoas de todos os géneros, estratos e cultura.
Gostaria de falar de todos, porque nestes 8 dias, todos eles e individualmente contribuiram para que a minha “bolinha de mercúrio” crescesse.


E mais outro dia comprido. Saimos ás 09h30 e só voltámos ás 22h00 ao comboio.
De manhã começámos pela visita panorâmica á cidade, como já é hábito.


Todas as cidades têm guias locais.
Nesta cidade a guia russa falava espanhol. E ,claro está, o TUGA desenrrasca-se sempre e até percebe espanhol e sujeita-se… que remédio! Sempre fomos os “desenrrascas”. Não percebo é porque é que continuamos assim… na cauda do mundo… E a “abanar a abanar” que nem cãozinho… enfim…


Aquela voz aguda proliferava-se pela camioneta. Parecia uma velhinha sentada junto á lareira a contar histórinhas. Um som que se tornou ruido e que acabou invadindo-me de tal forma que não conseguia concentrar-me nas palavras.


Dirigimo-nos para fora da cidade de Irtursk para almoçar, junto ao Lago Baikal, numas casinhas de madeira.
Fui para longe nos meus pensamentos… a ideia idilica de uma casa de campo junto a um lago foi espelho do que os meus olhos viram. Uma paisagem indescritivel… Ainda bem que existem as fotografias para poder demonstrar um pouco melhor..
Do almoço fomos ao museu da madeira, que mostrava vários tipos de casas utilizadas pelos indigenas. No terminal das casas mais uma paisagem que se revelou como um tranquilizante.. Se eu não sabia como seria a minha casa de sonho, agora tenho a certeza. O meu sonho é acordar com uma paisagem destas…


Almoçámos com o grupo do Sr. Alegre. Fez-me bem porque estava a entrar em saturação, impaciente. Vieram apaziguar-me. Que grupo agradável!
Há uma série nova na televisão que se chama “Os olhos de Ângela” e de certa forma fizeram-me lembrar a mulher do Sr. Alegre. Os seus olhos transparecem sensatez. Revi-me neles não só porque acredito que também sou assim mas porque desejei sê-lo quando chegar á sua idade. Sensatez… foi o que eu vi naqueles olhos.

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