Rita tinha uma saia comprida e folhada, a sua camisa parecia espartilhada e sentia o seu peito apertado contra si mesmo. Via-se como se inrompesse de folhas escritas pela mão de Cadalso. Como se da sátira aos costumes espanhóís surgisse o encantamento do exotismo cigano. Dançava com Pablo, noutra vida, era como uma reminiscência, uma memória esquecida pelo tempo de algumas vidas já passadas. Pablo apertava com sensualidade, a cintura de Rita. E ela sabia! Ela sabia dançar! Os olhares eram cúmplices, e apesar de ser outra época, a paixão era a mesma. O cenário eram os Cafés Cantantes, sítios onde os ciganos andaluzes dançavam e cantavam para ganhar a vida. Via um homem mais velho sentado numa cadeira baixa, toda vermelha e debroada a desenhos amarelos. Tocava guitarra com emoção, e era ele quem dava o ritmo aos passos dela e de Pablo. Sorria como se os conhecesse há anos. Aquilo era o flamenco, era o flamenco de Rita e de Pablo. Não era a técnica, mas a atitude, era um manifesto de almas.
Patrícia Prata, In my Second Novel
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Sobre os mosaicos...
O espelho já não reflectia as suas imagens, eram apenas silhuetas. Olivier encostava Clara, com a força do seu desejo, contra si mesmo, carregando em si a vontade que era de ambos. O vestido preto já não era vinho, era aroma. Estava caido no chão, como pretexto de não impedir mais aquilo que os dois desejavam intensamente. Clara deitada sobre os mosaicos, via sobre si o peito delineado de Olivier. Sentia que a água se misturava com o prazer e o som da torneira não permitia que as vozes agitadas e a respiração forte se ouvissem para além da porta.
Patrícia Prata, in My Second Novel
Patrícia Prata, in My Second Novel
terça-feira, 24 de novembro de 2009
As regras convencionais do trato
Pablo observava-lhe os seus cabelos longos que lhe caiam sobre o peito e um botão mal apertado da camisa, deixava revelar-lhe uma sensualidade não intencional. Ancorava-lhe a retina na camisa mal apertada e ao mesmo tempo receou que Rita percebesse e o interpretasse mal. Aqueles segundos foram os suficientes para saber de cor as ondulações do seu cabelo, o jeito como caiam sobre o seu peito e até quantas rugas tinham as falanges dos seus dedos. Ouvia as explicações de Rita, embriagado na doçura de um mel cristalino. Apetecia dar-lhe um beijo, mas não teria sentido. Ambos pensavam o mesmo mas nenhum tomaria iniciativa. As regras convencionais de trato a desconhecidos não permitiriam que isso acontecesse.
Patrícia Prata, In My Second Novel
Patrícia Prata, In My Second Novel
À procura da alma...
Pablo aparentava um ar maduro, alguma rigidez no rosto carregava-lhe as gelhas da face, como expressões de rosto marcadas pelos anos da vida de dançarino. Viam-se noites não dormidas, uma vida de devaneios constantes e amores incertos em noites esquecidas. Era um homem que, inevitavelmente chamava a atenção. Não lhe faltava vivência mas dava a sensação de um vazio inexplicável, como se ele próprio não desse conta que o tinha. Ou talvez o quisesse disfarçar, entre o sorriso sedutor que distraia quem o olhasse à procura da sua alma.
Patrícia Prata, In My Second Novel
Patrícia Prata, In My Second Novel
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Mais ou menos
Sempre é tudo mais ou menos
O céu não fica vermelho
O sangue não corre nas veias
Está bem como ficou
Vem e grita ao rio
Quero saber se aí tens alma
Ou se em vez tens um vazio
Esse olhar nada me dá
O silêncio desinteressa-me
Não sinto o pulso agitado
Não vejo o querer acordado
Quero a vontade ao chegar
Quero a força do abraçar
Senão, deixa-me sossegada
Sei viver sem o quase nada
Não vale a pena o tão pouco
Acordo-te para dizer que fui
Não me peças os porquês
Deixa-me ir.
Amanhã já não te lembras.
Eu não me lembro.
Não foi nada.
A vela não se apagou.
A vela nunca acendeu.
Patrícia Prata
O céu não fica vermelho
O sangue não corre nas veias
Está bem como ficou
Vem e grita ao rio
Quero saber se aí tens alma
Ou se em vez tens um vazio
Esse olhar nada me dá
O silêncio desinteressa-me
Não sinto o pulso agitado
Não vejo o querer acordado
Quero a vontade ao chegar
Quero a força do abraçar
Senão, deixa-me sossegada
Sei viver sem o quase nada
Não vale a pena o tão pouco
Acordo-te para dizer que fui
Não me peças os porquês
Deixa-me ir.
Amanhã já não te lembras.
Eu não me lembro.
Não foi nada.
A vela não se apagou.
A vela nunca acendeu.
Patrícia Prata
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Nega-me o mel
Trago sangue na tarde
Ferida na mão
E uma vela no meu coração
Esse ar quente que leva à estrada
Puxa-me e não quero andar
Não quero partir no caminho
Reaje ao meu pedido
Indiferença como conluio
Perco-me na razão
Digo que não sem pensar
Mudei de ideias agora
Digo que sim para te ver
Tenho de me proteger
Cansada da dúvida que me segue
Outra vez essa voz que me pede
Deixa-me seguir em frente
Não fales, não mostres a voz
Fecha o olhar que me dás
Leva o aroma da pele
Dá-me limão
Nega-me o mel
Dás num dia
Negas na noite
A noite fria que aquece a espera
Se o dia chegasse todos os dias
Cansei de ver o sol chegar
Azeda-me o coração
É mais fácil ver-te partir
Não dói nem chora de dor
Cortei o pé da flor
As pétalas no chão
Deixam saudades, não faz mal
Prefiro não conhecer-te mais
Não te reveles a mim
As pétalas, deixa-as voar
Amanhã já não me lembro
O cansaço tirou-me a vontade
Não sei, amanhã não me sorrias
Quero lembrar-me da indiferença
As pétalas já voaram
Já não sei quem podias ser
Patrícia Prata
Ferida na mão
E uma vela no meu coração
Esse ar quente que leva à estrada
Puxa-me e não quero andar
Não quero partir no caminho
Reaje ao meu pedido
Indiferença como conluio
Perco-me na razão
Digo que não sem pensar
Mudei de ideias agora
Digo que sim para te ver
Tenho de me proteger
Cansada da dúvida que me segue
Outra vez essa voz que me pede
Deixa-me seguir em frente
Não fales, não mostres a voz
Fecha o olhar que me dás
Leva o aroma da pele
Dá-me limão
Nega-me o mel
Dás num dia
Negas na noite
A noite fria que aquece a espera
Se o dia chegasse todos os dias
Cansei de ver o sol chegar
Azeda-me o coração
É mais fácil ver-te partir
Não dói nem chora de dor
Cortei o pé da flor
As pétalas no chão
Deixam saudades, não faz mal
Prefiro não conhecer-te mais
Não te reveles a mim
As pétalas, deixa-as voar
Amanhã já não me lembro
O cansaço tirou-me a vontade
Não sei, amanhã não me sorrias
Quero lembrar-me da indiferença
As pétalas já voaram
Já não sei quem podias ser
Patrícia Prata
terça-feira, 10 de novembro de 2009
Livro www.corposeditora.com
Já saiu o meu primeiro livro!!
Na Fnac por encomenda ou em http://www.corposeditora.com/
:):):):):):):)
Na Fnac por encomenda ou em http://www.corposeditora.com/
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