sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Pés

Pés que dançam, fortes, soltos.
Capitulam em notas, como crescessem já homens, já mulheres, já crescidos.
Eles que não sabem que vereda percorrem porque procuram atalhos à pobreza das suas solas.
Correm porque não querem sentir o edema da adega.

É porque se alienam.
É porque os obrigam a dançar como os pés que dançam fortes.

Mas correm.
Correm porque não querem descobrir que a força que têm lhes pode ser tirada a qualquer momento.

Pés que dançam, fortes, soltos.
Rendem-se uns aos outros, como se fossem livres, francos, abertos.
Eles que não olham para o seu par, porque sabem que no ritmo do outro está acorrentada a música que lhes deram.
Correm porque não querem parar de ter dores.

Mas correm.
Correm porque se lhes doer se sentem mais fortes… soltos.

Patrícia Prata