domingo, 23 de agosto de 2009

Encantada...

Tinha um cabelo grisalho de maturidade e quando esboçava um sorriso mostrava uma confiança que me desarmava. Ao mesmo tempo o seu olhar buscava o regaço de candura, de alguma pureza perdida nos anos que tinham escorregado por entre os dedos das mãos. Parecia chamar-me de dentro, como se quisesse soltar um grito mas não tivesse coragem e entre nós um iman geográfico, puxava o lugar onde eu estava para junto do dele. Aquele clima intimista, de luzes fechadas pelo som da voz do fadista, e as letras desconcertantes do Fernando Pessoa, faziam com que os nossos olhares se tornassem suspeitos.
Sentia-me encantada com a sua forma de ser.

Patrícia Prata, in My first novel

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