terça-feira, 30 de junho de 2009

A cotovia de Lisboa


A cotovia que espreita
Pela manhã desta cidade
Todos os dias rejeita
O passado que tem saudade

A cotovia é quem canta
Nos bairros da Madragoa
E que sem querer encanta
Quem passeia por Lisboa

O canto que se ouve na esquina
É sempre de uma cotovia
É de um sorriso de uma menina
É de uma alma que não está vazia

E nesta cidade tão bela
Que a cotovia conhece bem
O canto entrega-se a ela
E corre do Cais a Belém

Ela espera por mais um dia
Pousa no fim de tarde na proa
E é assim que a cotovia
Conhece os cantos a Lisboa

A cidade tem-na em seu leito
E não ousa esquecer-se dela
Porque a usa em seu proveito
Para se tornar mais bela

E a cotovia adivinha
Que a cidade tem muitas manhas
Sabe que é tua e minha
E sabe que a não apanhas

Porque a Cotovia regressa
Ás asas desta Lisboa
Chega sempre sem pressa
Pousa, pára e então voa.

Patrícia Prata, 30 de Junho de 2009






Deixa que te ouça a alma


Deixa que te ouça a alma
Ouve o silêncio profundo
Que apenas com esta calma
Se ouve o silêncio do mundo


Esse som que te foi fadado
Á tua pura inocência
Será o destino calado
Da tua estranha essência

Quando encosto o meu ouvido
Ao teu silêncio tão mudo
Só te faço um pedido
Que do nada me dês tudo

Deixa-me ouvir respirar
As frases do teu coração
Como um novo galrear
Como da semente ao grão

Prendes a tua voz
Nesse teu silêncio sem par
Como um rio que não chega á foz
Que não desagua no mar

Pela tua alma eu indago
Quero ouvi-la em mim
Porque será maior o estrago
Viver toda a vida assim

Deixa que te ouça a alma
Deixa-me amar o teu rosto
Que apenas com esta calma
A uva se torna em mosto.

Patrícia Prata, 30 de Junho de 2009


Beijo demorado


Tardaste o teu beijo no meu
Quantos beijos já tardaste?
Quanto tempo meus lábios esperaram
Esses teus que me cativaram
Quantos beijos? Não os contaste?
O meu beijo adormeceu...
De tanto esperar pelo teu...


Perdeste o tempo do beijo
Perdi a vontade louca
Desse beijo demorado
Que chegou tão atrasado
De te querer beijar na boca
O meu beijo adormeceu...
De tanto esperar pelo teu...

Patrícia Prata, 30 de Junho de 2009

Talvez não acredites...


Chegaste tarde até mim
Mas não posso esperar assim
Eu esperei até poder


Talvez não acredites...

Cansei-me de debater a vontade
Forcei o meu querer de não ter saudade
Eu fiz tudo para não esquecer

Talvez não acredites...

Mas cansaste o meu olhar
Fartei-me de esperar
Que voltasses a este amor

Talvez não acredites...

E como a onda num rochedo
Fizeste-me sentir medo
E já nem sinto mais dor

Talvez não acredites...

Não é raiva nem é rancor
Mas já esqueci o amor
E agora não quero que fiques

Talvez não acredites...

Acredita, porque é verdade
Tudo passa com a idade
Talvez não acredites...

Mas não quero mesmo que fiques...

Patrícia Prata, 30 de Junho de 2009



segunda-feira, 29 de junho de 2009

Colho o que semeio


A paixão que me corre nas veias
A força do meu trabalho
A riqueza dividida a meias
O amor que sinto que espalho


Sou feita de orgulho e de fé
Sinto a força a correr-me no peito
Se caio, sei pôr-me de pé
Também sei encolher-me no leito

Não me canso de correr
E as mangas arregaço
Se for preciso fazer
Tudo até ao cansaço

Quando choro não sai água
Quando caio não faz ferida
Não guardo rancor nem mágoa
Nunca me sinto perdida

Sei bem tudo o que quero
O que não quero melhor sei
E por pouca coisa eu espero
Só por aquilo que semeei

Patrícia Prata, 29 de Junho de 2009

terça-feira, 23 de junho de 2009

Logo pelo amanhecer...


Deixa curar esse amor
Que deixou marca pintada
Esquece agora esse ardor
Que não te dá quase nada

Tens quase nada, é verdade
Tens de te erguer para a vida
Não vivas só da saudade
Para manter aberta a ferida

Esquece o passado amargo
Esquece o futuro escolhido
Porque o caminho é largo
E deves fazê-lo contigo

Não te esqueças de ti só
Ao escolheres seguir caminho
Todos tornamos ao pó
Mas não fazê-lo sozinho

O passado traz-te mágoa
Não penses nele outra vez
Lava a cara com água
Esquece todos os porquês

Só assim podes seguir
Ao caminho a percorrer
E depois poderás sorrir
Logo pelo amanhecer...

Patrícia Prata, 23 de Junho de 2009







segunda-feira, 22 de junho de 2009

O cálice carmim

O vinho doce levou-me
Um trago do teu olhar
Na tua face sem gelha
No teu leve respirar

Esse vinho que me deste
Embriagou minha alma
Careci do teu toque terno
Que me enchia de calma

No suspiro de uma videira
Molhei meus lábios cerrados
Como quem produz o aroma
De vinhos já destilados

Pelo encanto de uma uva
Encheste teu copo e o meu
Mordeste teu lábio salmão
De um modo que é só o teu

A garrafa chegou ao fim
Um tranquilo beijo me deste
O copo estava carmim
Do vinho que lá puseste

Deixa abraçar esse cheiro
Que tinge de vermelho esta cor
Porque aquilo que vem primeiro
Embriaga o meu amor

Essa cor de carmim aceso
Tempera a luz de grená
Traz-me o teu corpo para aqui
Vem ter comigo. Anda cá!

Foge desta lividez
Que te tira a côr do vinho
Estão no fundo do copo
Não o bebas sozinho

Deixa que te acompanhe
Na solidão de beber
Seja vinho ou champanhe
Que seja até adormecer

Patrícia Prata, 22 de Junho de 2009

domingo, 21 de junho de 2009

Boda Abençoada



A Maria é fadista
Canta nas tascas escondidas
O João é alfarrobista
De enciclopédias perdidas

Conheceram-se em Alfama
Num dia quente de Santos
Maria cantou como quem ama
João perdeu-se em seus encantos

Depois do olhar, a verdade
A verdade daquele momento
Dava a João a felicidade
De lhe pedir casamento

E haviam de os dois casar
O João e a Maria
Todos esperariam no altar
Por esse grande e belo dia

Na data que ficou marcada
Para a igreja foram a correr
A Maria toda encantada
O João feliz de se ver

Todo o bairro foi lá ter
Para ver a boda molhada
E como se costuma dizer
A chover é abençoada

Patrícia Prata, 22 de Junho de 2009

sexta-feira, 19 de junho de 2009

O teu mundo

O teu mundo é tão distante
Tão dificil de chegar
Não se pode quebrar
Essa redoma em que vives
Que pertences por ter medo
Para não revelares teu segredo
Para te sentires seguro
E mostrares o eu mais duro
O teu mundo não é daqui
Não conheço o teu caminho
Assim ficarás sozinho
Nesse teu mundo distante
Não tens ombro de ninguém
Não tens mal mas não tens bem
Ficas só nessa vidraça
Que te serve de carapaça

O teu mundo é egoista
Não quero aprender a chegar
Tenho medo de me magoar
E tu ficarás na mesma
Porque esse mundo só teu
Não te deixará ser meu
Prende-te a esse lugar
Que te priva de saber amar

O teu mundo é triste e só
Mesmo querendo dar-te a mão
Já perdeste o coração
Nessa luta desmedida
Sem uma razão concreta
Não tens vida, não tens meta
Nada chega para seres feliz
Isso é o que o teu olhar me diz

O teu mundo é doutro mundo
É além deste lugar
Não vieste para ficar
Nem dai tu queres sair
Nem contas os teus segredos
Não sabes quais são teus medos
Vives na margem da vida
E agora não tens saida

O teu mundo deu-te tristeza
Levou-te daqui para fora
Não há minuto nem hora
Para decidires arrancar
Para saires desse lugar
E tentares a tua história
Se houver tempo parte a vidraça
E rompe essa carapaça


Patrícia Prata, 19 de Junho de 2009




quinta-feira, 18 de junho de 2009

Encanto da Ribeira


Sem querer encantaste a ribeira
Que passa a correr sem parar
Sentiu-te na margem sentado
A olhar como que encantado
Para a corrente que vai para o mar


A ribeira passou novamente
Sentiu teu cheiro a cereja
Provou tuas faces carmim
Deitou-se em teus olhos sem fim
Viu como tua alma flameja

Encantada, parou de correr
Queria voltar para trás
Parou de seguir para o mar
Já não pensava em voltar
Já não se sentia capaz

Encantaste a ribeira sem querer
Já não mais vai correr para o mar
O mar vai sentir sua ausência
Esse encanto foi sem prudência
E a ribeira vai parar

O mar vai tornar-se egoista
Se o deixares assim sozinho
Sabes que ele precisa da água
Deixas um rasto de mágoa
E o mundo torna-se um cantinho


Não deixes que esse teu encanto
Engane a ribeira assim
Podes dar-lhe a tua alma
Podes tornar a corrente calma
E dar-lhe tua cor carmim

O teu cheiro de cereja
Oferece-o á brisa do mar
Assim a ribeira vai querer
Continuar sempre a correr
Na esperança de te encontrar


Patrícia Prata, 18 de Junho de 2009





O tempo que tarda


O dia não tem fim
A saudade aperta
Quero-te junto a mim
E toda a hora é certa


No relógio tarda a hora
De te ver entrar pela porta
E o tempo que tanto demora
Torna a hora mais que morta

Todo o tempo que tenho é para ti
Esse tempo que tem mais sabor
Outro tempo atrás eu perdi
Quando não te sabia de cor

Vejo o relógio na porta de entrada
Vejo o tempo a passar devagar
Passa rápido com a tua chegada
Vais-te embora nem estou a contar

Toda a hora é certa para ti
E o tempo não me diz nada
Só sei quando não estás aqui
Passo toda a noite acordada

O relógio tem sempre hora certa
Marca o passo do meu coração
Porque quando a saudade aperta
Sinto que me deixas na mão

Não esvazies a minha alma
Cuida com tempo de mim
Não perturbes a minha calma
Não me deixes tanto tempo assim

Volta de tarde, de noite ou de dia
Volta também de madrugada
Mas o que eu realmente queria
Era estar sempre acompanhada

Patrícia Prata, 18 de Junho de 2009







quarta-feira, 17 de junho de 2009

Acabaram os porquês

Á noite descendo a rua
Procuro na cidade nua
Onde estás? Por onde andas?
Quem é que agora comandas?
Quem trazes no teu olhar?

Não sei se saberás amar
Procuro ouvir respirar
Em quem pensas? O que fazes?
E as tuas histórias fugazes?
Continuas a sorrir?

Por isso me deixaste partir
Fiquei sem saber para onde ir
Não me ouves? Não me vês?
Não me explicaste os porquês?
Continuas-me a querer?

Sinto-me sempre a perder
Não quero água, não quero comer
Ainda te apetece viver?
Como me consegues não ter?
É isto mesmo que queres?

Nem sabes como me feres
Mas por mim já não mais esperes
Não estás já arrependido?
Não te sentes condoido?
Acabou o sofrimento?

Acabou este tormento
Terminou este momento
Esqueci já que existias?
Fui até onde tu querias?
Para mim acabou de vez...

E acabaram-se os porquês...

Patrícia Prata, 17 de Junho de 2009

Meu vento

Escrevi ao vento a pedir
Que trouxesse teu perfume
Enrolado em leves brisas
Porque é que dele precisas?
Vira a folha sem queixume

Avisou-me num só sopro
Melhor é acabar o tormento
Não chores mais sobre o peito
Não aches que ficas sem jeito
Avisou-me este meu vento

Insisti para que o trouxesse
No seu tão leve regaço
Queria sentir mais uma vez
Queria perceber os porquês
No fim só senti o cansaço

Escrevi ao vento outra vez
Para me trazer seu olhar
Avisou-me que estava errado
Que este não era o meu fado
E para nele não mais pensar

Pela ultima vez tentei
E jurando sobre a cidade
Pedi-lhe com muito fervor
Que me trouxesse o meu amor
E me levasse a saudade

De tanto esperar por ele
O vento veio ter comigo
Disse-me "Não queiras com ele ficar,
Ele não veio para te amar"
Isso seria um castigo

Compreendi o que o vento disse
A lágrima rolou pela face
Aceitei o veredicto
Dei o dito pelo não dito
Não foi porque não tentasse

Agora ao vento eu escrevo
Queria pedir-lhe alegria
Que me traga uma brisa quente
Que me faça sentir gente
Que me traga um novo dia

Patrícia, 17 de Junho de 2009



terça-feira, 16 de junho de 2009

O fado que vou escrever


Encontrei razão para a escrita
Não sei se será errado
Não sei se ficará bonita
Uma letra para o meu fado


Descobri o que a tinta diz
Não sei se será pecado
Sei que ainda sou aprendiz
Mas queria escrever um fado

Sabia que queria escrever
Algo que seria cantado
Não sabia que era para ser
Nada mais que um belo fado

Agora que sei como é
Sei também quem me inspirou
Foi o meu querido Camané
Que para a minha alma soprou

Patrícia, 16 de Junho de 2009

Lisboa, cidade querida



Lisboa minha cidade
Teu rosto escondes na rua
Trazes na algibeira a saudade
De quem sabe que é só tua

O rio que te corre nas veias
Traz ás colinas fulgência
E esse fogo com que ateias
A tua breve inocência

A inocência que te apanha
No sol que te desperta o dia
E á noite que se acanha
Quando a lua se sente vazia

Nas noites dos quentes santos
Mostras a alma ao condoido
Para que nos teus belos recantos
Ele não se sinta traido

És assim minha cidade
Fazes parte da minha vida
E mesmo já com essa idade
És a minha cidade querida



Patrícia, 16 de Junho de 2009

Por seres tu...


Perguntei ao céu
De que era feito teu olhar
Disse-me que por ser teu
Me diria a segredar

Perguntei ao vento
De que era feito teu coração
Disse-me que por ser teu
O que me diria seria em vão

Perguntei ao mar
De que era feito teu sorriso
Disse-me que por ser teu
Me diria mas não era preciso

Perguntei á lua
Afinal de que eras feito
Disse-me que por seres tu
Me responderia sem jeito

Patrícia, 16 de Junho de 2009

domingo, 14 de junho de 2009

Não quero parar


Não consigo dormir
Só me apetece escrever
Tudo o que estou a sentir
Tudo o queria dizer


Não me conhecia tão bem
Julgava-me por vezes dura
Até que me disse alguém
Que eu tinha uma certa candura

Não me devo conhecer
De facto não deverei
E só me apetece escrever
Do quê, propriamente não sei

Esta candura que falam
Transporto-a para o papel
E não sabem quantos calam
E que dizem que sou fel

Mas aqui eu posso ser
Tudo aquilo que eu quiser
Posso ser rei ou rainha
Posso viver ou morrer

Não interessa se sou fel
Se tenho candura ou não
Se quiser escrevo com mel
Se quiser escrevo com a mão

Só sei que não quero parar
Quero escrever mil folhas
Nem que tenha de gastar
Todas as minhas escolhas


Patrícia, 15 de Junho de 2009

A rapariga que não gosta de ninguém


Dizem que não gosto de ninguém
Que não me entrego demais
Que dou pouco de mim
Mas será mesmo assim?

Dizem que não lhes faço bem
Que só lhes causo "ais"
Que lhes dou dor no peito
Mas será isso que tenho feito?

Dizem para me afastar
Que não querem ser meu par
Que só lhes faço chorar
Mas será que não sei amar?

Mas eu digo que não é verdade
Que não sou uma cobarde
Que o tempo me vai dizer
A melhor forma de o fazer

Mas eu digo que sou capaz
De encontrar um bom rapaz
De mostrar o meu amor
De lhe dar uma flor

Mas digo também afinal
Que quem me pede atenção
Acabou fazendo mal
Ao meu pobre coração

Por isso não sei se há razão
Nas coisas que dizem no ar
Mas para evitar outro não
Eu não mais me volto a dar


Patrícia, 14 de Junho de 2009

Quanto tempo é preciso?


Quanto tempo é preciso
Para não doer um ferimento
Para deixar de ser sangrento
Para não nos sentirmos ao relento?

Quanto tempo é preciso
Para reagir á solidão
Para não nos sentirmos na mão
Para não ecoarmos o não?

Quanto tempo é preciso
Para deixar de ter saudade
Para não pensar na idade
Para voltar a ter vontade?

Quanto tempo é preciso
Para te tirar da cabeça
Para saber que outro dia começa
Para sentir o amor sem pressa?

Quanto tempo é preciso
Para sentir apenas calma
Para sentir sangue na alma
Para a mão não fechar a palma?


Para voltar a ter sorriso
Para ser claro e conciso
Quanto tempo é preciso?

Patrícia, 14 de Junho de 2009 - dedicado ao meu amigo Mário

Um dia...escrevo um livro


Um dia ... escrevo um livro

Das recordações que me dás
De andarmos para a frente e para trás
De contigo o amanhã não ser concreto
Do meu amor por ti que é tão certo.

Um dia ... escrevo um livro

Escrevo a falar como te quero
Como por ti á noite eu espero
Escrevo a falar dos teus olhos
E como te quero aos molhos!

Um dia ... escrevo um livro
Mas a verdade a saber
O que quero é dar-te a escrever
Porque te sinto faminto
De não seguires o teu instinto

Um dia ... escreves um livro

E quando as palavras sairem da tinta
Pode ser que eu também sinta
O amor no teu olhar
E que comigo queiras ficar

Um dia ... escreves um livro

E que as páginas a seguir
Sejam para te ver sorrir
E que sintas na tua mão
A tinta do teu coração.


Patrícia, 05 de Junho de 2009

sábado, 13 de junho de 2009

O meu gosto para escrever


Não conhecia este meu gosto
De escrever sem um minuto parar
A felicidade vê-se no meu rosto
De querer só continuar

A minha cabeça não pára
Faço isto em dois minutos
Parece-me coisa tão rara
Parece-me coisa de putos

Na infância é que as coisas fluem
Sem advertência formal
E eu penso se com esta idade
Será isto normal

Apetece-me redigir
Trinta versos sem parar
Ainda estou para descobrir
A quem é que eu posso mostrar
Patrícia, 13 de Junho de 2009


Amor sem essência


As duvidas que tens
Deram-me as certezas que preciso
Ora vais ora vens
Mas não és o meu abrigo

És muito especial para mim
Ensinaste-me a ser melhor
Tenho pena que seja assim
Mas por mim não tens amor

Fechei na minha mente
A folha que contigo escrevi
Agora sei conscientemente
Que eu não fui feita para ti

Queria muito para sempre amar-te
Queria muito contigo ficar
Mas o melhor será deixar-te
Será melhor o vento te levar

Vi nos teus olhos verdes
Muito amor que tens para dar
Mas todos os dias perdes
Em não o quereres partilhar

E no fundo tudo o que quero
É a tua felicidade
E não posso! Por ti não espero!
Deste-me esta realidade

Sou assim... Até estou bem

A janela fechou-se
A porta abriu
A minha alma encontrou-se
O meu corpo saiu

Desci a escada a correr
Mas sem medo de cair
Na adversidade da escolha
Um dia ainda posso subir

Mas não me quero prender
A um pensamento duvidoso
Se um dia me vais querer
E deixar de ser teimoso

Mais vale rasgar a folha
Mais vale deixar-te partir
Na verdade, é tua a escolha
Da minha vida quereres sair

Sigo preocupada contigo
Porque de mim eu sei tratar
Sei que sempre serás meu amigo
Mas de ti, quem vai cuidar?

Essa tua grande incerteza
De teres medo de ser feliz
Faz-te parecer cheio de pobreza
Mas o teu olhar não é o que diz

O teu olhar mostra vontade
Mostra paixão e amor
Mas isso perde-se com a idade
E no fim só sentirás rancor

Não deixes essas asas negras
Assombrarem o teu caminho
No teu rumo aparecerão pedras
Mas desvia-te de mansinho

Um dia desprender-te-ás
Desses teus receios agrestes
E aquilo que recordarás
Será de tudo o que não me deste

Como sou forte e me conheço
Não me prendo á tua ausência
E juro, não mais tropeço
No amor sem essência

Patrícia, 13 de Junho de 2009

Prisioneira da recordação


Peguei na mala e fui.
Uma mala sem nada,
De recordações de uma vida passada
E no entanto vazia como a madrugada

Recordações que não ouso recordar
Pois ao nelas pensar
Me ponho a imaginar
Como poderia passar
Tão bem sem recordar
Patrícia, 1996

Estrela


Estrela do céu
Encaminhas-me para o teu leito
Estás aqui em meu proveito
Em lembrança de um olhar

Quem te viu num céu distante
Alguma coisa rezou
És profeta de um destino
És um tropo divino

Testemunha de uma história
Testemunha de um passado
Ornato de uma memória
De um futuro já esperado

Estrela do céu
Realiza-me um desejo
Sei que o firmamento é teu
Mas deixa que lhe dê um beijo

Esse beijo de um olhar
De um olhar já refinado
De uma evasão sentida
De um pensamento lavado

Já não há nem é memória
Da sapiência que transportas
Sei que sabes tudo no mundo
E que sofres com estas voltas

Reagiste ao nosso tempo
Com um olhar natural
Dias de sol ou dias de vento
Tu estarás sempre igual

Na constância que te pertence
Não és indiferente ao mundo
Tens a sabedoria de um velho
Com um conhecimento profundo.
Patrícia, 2002