
Já andava a pensar em dar-lho mas faltava-me a coragem. Pensei que pudesse achar ridiculo de tão imaturo que é. Mas decidi-me a dar. Peguei num dos meus poemas (“Irrequieta Escrita”) e fui oferecer á autora, esperando que o aceitasse como forma de agradecimento. E de facto aceitou e tive boa critica, que me faz sorrir os olhos.
São duas senhoras que nada têm a ver uma com a outra, a autora e a irmã. Não as decifrei. Revelam-se de formas diferentes. A autora agarrou-se muito aos seus livros e é natural que assim seja. Todos nós nos agarramos ao nossos orgulhos, e quando não são os filhos ou esses orgulhos não se vêem, temos tendência a falar neles para que nos olhem.
Seguimos para Kazan.
Kazan é uma cidade Tártara. É uma cidade limpa e agradável, talvez picturesca. Não tem nada de muito antigo. Vive da industria e está junto a um rio.
No centro existe uma mesquita com cúpulas azuis turquesa, também ela recente, construida em 2004. Vem da convicção do governador desta cidade, que tanto os muçulmanos como os protestantes podem coexistir sem conflitos e que há espaço para ambas as religiões. Por isso em Kazan, onde se vê uma mesquita, logo a seguir se verá uma igreja católica.
O centro da cidade tem duas atracções. É a tal mesquita de cupulas turquesas e uma torre inclinada, que faz lembrar a de Pisa pela sua inclinação, mas é de tijolo.
Reza a lenda que Ivan, O Terrivel se apaixonou pela, então Rainha de Kazan, que era viúva, por ter perdido o marido na guerra. Guerra essa provocada por Ivan. Quando este veio a Kazan com o intuito de invasão apaixonou-se e quis casar com a Rainha. A Rainha disse que só lhe faria a vontade se Ivan construisse uma Torre de 7 andares em 7 dias.
Ivan assim fez. No 7º dia, a Rainha sobe até ao último andar e lança-se da torre.
Assim se vê: os homens são a cabeça, mas as mulheres são o pescoço. Viram sempre para onde nós queremos. Ivan fez o que ela queria, mas ela não fez o que ele queria, casar com ela. Foi um pouco drástica mas conseguiu-o.
As mulheres estão sempre na História. Bem ou mal falem de nós, mas falem! E é curioso como algumas são mesmo assim.
Quis conhecer a senhora de quem alguém lhe atribuiu cinco “coisinhas desagradáveis”.
Aproximei-me e creio ter compreendido os comentários mas não consigo resistir á genuidade desta senhora. É de facto genuina e isso surpreende-me e cativa-me. Não está cá para agradar gregos e troianos mas sinto-lhe a força a sair das veias. A vida, creio, não lhe ter sorrido sempre e o valor que dá ás coisas é muito próprio, centra-se no seu mundo e da familia. E o marido complementa-a de tal forma como nunca vi. Não esperarão ver um casal de apaixonado aos beijos, mas a cumplicidade ás vezes está até no silêncio…
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