terça-feira, 15 de outubro de 2013

A drapejar

E porque é que se arrisca a perder tudo quando se pensa que ter pés é sensato?
A drapejar, conto-te eu que sei, é que se é feliz…
Mas e se te dizem que é melhor não ires que devias ouvir os pareceres sensatos das pernas intactas, daquelas que ainda conservam os pés – na terra – daquelas que não dobram a esquina, só porque apareceu ontem no mapa, daquelas que não chutam as pedras porque o dia não foi perfeito…
Às vezes… quando bato com a cabeça no passeio e o sangue se desdobra na calçada, chego a pensar que deveria ter ficado naquele dia igual a todos… naquele dia em que acordo e bebo leite e como pão e vou trabalhar, ou não, ou não…
Há dias… que sei que devo quebrar as correntes só para lhes sentir a dimensão sobre a casca esfolada.
Amanhã, também, não dobro a esquina.

Amanhã os pés crescem e desvio-me das pedras que hei-de encontrar no caminho.