domingo, 23 de agosto de 2009

Passado Perfeito...

O seu olhar era feliz, dizia que já tinha vivido tudo o que queria, e mais importante que isso, tinha sentido e experenciado tudo o que prentendia: amou uma mulher uma vida inteira, teve três filhos com muito amor, netos e bisnetos. Nunca tinha tido muito dinheiro, apenas o suficiente para viver e dar a viver aos seus filhos. Não fazia falta. “Temos de aprender a viver com aquilo que a vida nos dá, senão somos uns eternos insatisfeitos, uns infelizes. Não podemos relativizar, constantemente tudo e é nossa opção escolher a felicidade e a paz de espírito. Tornamo-nos mais felizes e fazemos mais felizes quem nos rodeia e por isso posso morrer hoje, com a consciência que tive um “Passado Perfeito”…” – disse ele com uma voz também ela enrrugada. Fiquei a pensar no que ele disse e comecei a olhar a paisagem tranquila que nos rodeava. O rio calmo sobressaia dos verdes montes que serviam de base e em baixo as casas de madeira com telhados inclinados e compridos salpicavam de cores o verde das montanhas.Era uma tranquilidade contagiosa que tinha chegado áqueles montes e margens para se instalar e não tinha intenção de se ir embora.

Patrícia Prata, in My first novel

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