sexta-feira, 14 de agosto de 2009

No trem da vida que passa...



Encontrei-me no caminho
De mil quilómetros andados
Num mundo quase sozinho
Das voltas já revirado

Percorri vezes sem conta
Para encontrar explicação
Para que a dúvida que me afronta
Sossegasse no meu coração

Conheci a verdade nua
Que não via da convivência
O olhar roubou-me a lua
O discurso foi incongruência

Olhei de frente e não queria,
Custava-me a digerir
Que em pouco tempo um novo dia
Poderia não mais surgir

Regurgitei palavras dadas
Não fiquei mais sossegada
Sentia como que pancadas
Que não me davam quase nada

Os olhos turvos da água
A força na parede do peito
A expressão que enrruga a mágoa
E a causa torna-se efeito

Prometi não chorar de raiva
No trem da vida que passa
Porque na fúria da saraiva
O sol mostra a sua graça

E se um dia mau que passou
Trouxe ao mundo solidão
Outro dia a mais entrou
Na vida que me deu a mão

Patrícia Prata, 14 de Agosto de 2008


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