
Encontrei-me no caminho
De mil quilómetros andados
Num mundo quase sozinho
Das voltas já revirado
Percorri vezes sem conta
Para encontrar explicação
Para que a dúvida que me afronta
Sossegasse no meu coração
Conheci a verdade nua
Que não via da convivência
O olhar roubou-me a lua
O discurso foi incongruência
Olhei de frente e não queria,
Custava-me a digerir
Que em pouco tempo um novo dia
Poderia não mais surgir
Regurgitei palavras dadas
Não fiquei mais sossegada
Sentia como que pancadas
Que não me davam quase nada
Os olhos turvos da água
A força na parede do peito
A expressão que enrruga a mágoa
E a causa torna-se efeito
Prometi não chorar de raiva
No trem da vida que passa
Porque na fúria da saraiva
O sol mostra a sua graça
E se um dia mau que passou
Trouxe ao mundo solidão
Outro dia a mais entrou
Na vida que me deu a mão
Patrícia Prata, 14 de Agosto de 2008
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