quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Liberté, Egalité, Fraternité?!

Carla Bruni: Amour, amour! Ainda estás aborrecido com moi? Sabes que eu só quis experimentar aquele ciganinho, porque ouvi dizer lá no Salon de Beauté que eles davam sorte no casamento. E tu andas tão ausente... Sempre a brincar aos países e às espingardas... que maçada!

Sarkozy: Carlinha, sabes que eu me passo quando te enrolas com esses vagabundos. Mandei uns quantos para casa só para não me preocupar. Até porque eles não são nada estéticos para a nossa cidade. Já viste Paris com uns homenzinhos cheios de ouro nos dentes? Onde está o glamour? E eles não tomam banho. Os polícias quando têm de lhes ir dar umas sovas (tenho de manter aquela malta ocupada, fofucha) vêm todos a cheirar mal, é uma porcaria.

Carla Bruni: Mas ó fofucho... e agora o que dizemos quando nos falarem da "Liberté, Egalité, Fraternité" ?

Sarkozy: Hummm... pois quida... se calhar o melhor é eu mandar pôr umas fotos de uns ciganitos a roubarem e uns filmes de uns desacatos. Também não deve ser muito difícil... não te esqueças que ninguém gosta dessa gente que vive assim... de modos estranhos... O seu modo de vida tira sempre credibilidade. Não te preocupes. Vai ser canja. Depois eles esquecem-se...

Carla Bruni: Mas fofucho... tirar-lhe a nacionalidade? A mãezinha diz que isso é muito feio. Parece que é contra a Constituição... disse ela...

Sarkozy: Constituição?! Não filha. Isso é coisa dos antigos... do tempo da Revolução francesa! E está caladinha com essas coisas! Tens de deixar de te dar com essa gente de esquerda lá do cinema e dos livros. Isso são coisas que eles dizem. Quando for assim, diz-lhes que é tudo em nome da segurança!

Carla Bruni: Mas meu tesourinho... não gostei nada que o Papa ficasse aborrecido connosco... ele é santo! Ainda nos manda uma maldição!! Ai... está tudo contra ti fofucho! Até aqueles senhores que se sentam do teu lado.

Sarkozy: Não te assustes minha pombinha! É tudo inveja! Os próximos a irem, são aqueles imigrantes portugueses! Não posso com aquela gentinha.

Carla Bruni: Ah! E depois quem me limpa a casa?!

"Liberté, Egalité, Fraternité", para quem Sr. Sarkozy?

Patrícia Prata

domingo, 22 de agosto de 2010

Mirada de viejo verde

Siempre vienes con esa mirada
Aùn cuando las flores te sienten llegar
Aùn cuando el deseo de verte se penetra en la piel

Y todo el mundo dice que esa mirada es de viejo verde
Pero no hace daño
Hace que el deseo de prensa en tu piel, no resista la idea
Y más
Sentir tu mirada pesarme los brazos...
Casi lo juro a Dios que me olvido de todos los huecos...

Patrícia Prata

sábado, 21 de agosto de 2010

Obama reza todos os dias...

Segundo sondagem da revista Time, quase um terço da população americana julga que o seu Presidente é muçulmano.

Hummm.....

E se fosse? É assim uma notícia tão importante conhecer o credo do Presidente dos EEUU?

Deve ser, porque Bill Burton apressou-se a “jurar” que o Presidente reza todos os dias. Talvez se deva ao facto de se falar na construção de uma mesquita no ground zero, provavelmente ao lado de um shopping, de um MacDonalds, de uma Gant, de um Calvin Klein, de uma GAP, de um (…) …

Mais engraçado é que a percentagem aumenta dentro daqueles americanos que tradicionalmente votam no Partido Republicano…

É quase grotesco que um país que se diz defensor das liberdades, nomeadamente religiosas, construa uma polémica em redor da fé do seu representante político.

Talvez estes fait-divers façam esquecer a necessidade de uma análise social e política às transformações que a gestão obamista está a fazer ao país.

Talvez o cerne da questão seja esse. Talvez o Senhor Presidente reze mesmo todos os dias a pedir a Deus que o ajude a manter-se fiel aos seus juramentos no início do mandato.

Na verdade todos sabemos que a religião que tem mais praticantes nos Estados Unidos é o Dólar!

Na verdade, Senhor Presidente... Reze! Reze! Acho que vai precisar de muita ajuda divina. O melhor é pedir a todos (Jesus, Jeová, Alá, Buda) … sabem que nestas alturas todas as ajudas são bem-vindas.

Patrícia Prata

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Vergonha alheia

Não sei se sabem o que é vergonha alheia...

Aquela que nos consome o corpo de desprazer e aborrecimento. Aquela que nos chateia como “o caraças” mas não podemos fazer nada porque não é connosco. Mas na verdade, até é.

É pior que a "vergonha na cara" porque não é opção nossa fazer alguma coisa para salvar a situação... Foi essa que senti ontem a ver a repetição do "5 para a meia-noite".

Senti vergonha, quase que um ligeiro rubor me subiu às faces. Era a vergonha de que alguém com nome de "Pipoca" me metesse no saco que ela levava debaixo dos braços - o mesmo saco onde estão "as mulheres" de quem fala.

A Sra. Pipoca, sentada ao lado de um brilhante escritor português, José Luís Peixoto, contava como tinha chegado ao belo estatuto de “a mulher mais invejada de Portugal”. Ignorância a minha que não sabia da existência deste kitsch – a pipoca mais doce – blogue fofinho que fala das reais preocupações das mulheres?!

Mas… ó Pipoca… que mulheres? Mas o que me abespinha ainda mais é a tentativa brejeira e descarada de imitação do “Sexo e a Cidade”.

E ainda que tudo seja uma grande chatice, e que até acredite que há mulheres que designem as “bolhas do verniz das unhas” de “putas” (ver por favor http://apipocamaisdoce.blogspot.com/ “Ora bem” de 22 de Julho) acredito que a maior parte não sente necessidade de partilhar com o mundo os rasgos de barbaridade que todos temos de vez em quando.

Por isso… cara Pipoca… por favor, se puder, numa próxima entrevista em vez de falar nas mulheres em geral, seria mais prudente dizer “as mulheres como eu” e assim, acredite, que um sem número de mulheres lhe ficaria agradecida de a não incluir nesse saco, seja ele Gucci ou de contrabando.

P.S. Se abrir bem os olhos, vai reparar que há mulheres que vão sozinhas à casa de banho; que há homens que vão juntos e que muitas vezes a espontaneidade dos acontecimentos sucedem-se sem que seja preciso catalogar as mulheres de inseguras; rendidas à superficialidade do orbe; presas a todo o tipo de frivolidades.

Se abrir bem os olhos, vai reparar que todos somos diferentes.

Alvíssaras!

Patrícia Prata

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Errantes no Acaso

Tinha a cabeça sobre os seus braços adormecidos, havia dias assim. Havia dias que nem a roupa despia. Asilava-se entre os seus tentáculos fechados e deixava que a sua respiração se perdesse entre a mesa e os carrilhos esmagados.

Depois de algumas horas soltava um lamento de dor, de dormência muscular. Não sabia se o sangue tinha parado de correr ou se os seus membros tinham caído de podres.

“Estás aí hoje?” – via-a com os seus grandes olhos azuis, sempre que se levantava dos escritos.
Havia uma impetuosidade no seu olhar que parecia abalroar-lhe o corpo da cadeira. Ela estava sempre ali a observar-lhe as letras.

As promessas e sentenças que lhe saíam das mãos. Ele sabia que ela as apanhava - às folhas rasgadas do chão. Deixava-as lá para ela. Gostava de a ver amarfanhar-se nas folhas. Ela sempre esteve ali. Mesmo das vezes que ele se queria entregar à decessa, sentia-a presente. Como se o expiasse e o privasse do seu desejo de morrer.

E de manhã, quando se arrastava até à cama não entendia porque ela deixava tudo como ele tinha deixado. Depois de abrir as folhas, de ler os seus erros, as suas estrangulações, voltava a enovelar as gazetas e deixava-as no chão, errantes no acaso.

Patrícia Prata