Queria conhecê-la, saber mais dela e facilmente conquistei a sua atenção. Um dia convidei-a para ser nossa companhia num jantar, minha e do meu avô e ela aceitou com um sorriso, acompanhando-nos nessa noite. Foi agradável e de certo modo, lisonjeador. Inês olhava para mim, de uma forma libidinosa, quase lasciva e isso agradava-me. Nunca me tinha sentido desejada por uma mulher e apesar de não ser um desejo reciprocuo, enchia-me o ego. Era muito educada e nunca se aproximou demasiadamente, de forma a respeitar o meu espaço. Tinha consciência que a minha forma de agir a deixava na dúvida. Ela não conseguia perceber se eu olhava para ela, da mesma forma, que ela olhava para mim e eu fazia-o com consciência. Queria provocá-la para saber até onde ela iria. Foi uma injustiça feroz, eu estava a agir sabendo, de antemão, que não iria reagir. Sentia-me como um homem que galanteia as mulheres, só pelo prazer da conquista. E a infantilidade trouxe-me a consequência indesejada: ultrapassei a distância de segurança.
Patrícia Prata, in My first novel
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