Neste dia andámos pela cidade de Moscovo, como tinhamos vindo a fazer no dia anterior. Apenas que desta vez nos centrámos no Kremlin.Era frenética a nossa guia local. Pequenina mas como uma força da natureza. Quando explicava os seus olhos arregalavam-se e era visivel a forma como se entusiasmava a falar. O entusiasmo era tal que de vez em quando se tornava agressiva mas apercebi-me que era a sua forma e não tanto o seu feitio que ditavam a entoação mais abrutalhada.
Kremlin é o conjunto arquitectónico central de Moscovo e está situado na colina Borovitski.
Ao entrar no Kremlin, que quer dizer “Fortaleza”, sente-se a grandeza das majestosas catedrais que lá estão. São imponentes. Mas é no exterior que está a diferença entre todas as catedrais e monumentos que já vi. São as cúpulas.
De tão douradas apetece desembrulhá-las, como se de lá fosse sair algo surpreendente. O sol resplandece, ainda mais, o seu brilho flamejante. É impossivel ficar indiferente.
E indiferente também se fica com aquele senhor porque nos oferece gargalhadas com toda a generosidade que não se espera de alguém desconhecido. Um homem bem disposto e com uma vida que se lhe brota como água corrente de uma rocha. Vê-se que cresceu assim, que sempre foi assim e que as pessoas que o rodeiam se apaixonaram por esta forma de estar.. Contagia de boa disposição as pessoas á sua volta… nem mesmo os mais taciturnos lhe resistem. Tenho de lhe agradecer as fotos que tantas vezes por sua iniciativa me tirou.
Uma iniciativa espontânea que revela a sua simpatia, por achar que não estou intrusada, talvez. E talvez não esteja...?!
Viajar com um grupo tão distante em gerações é muito… diferente, mas por sorte e por natureza sou muito observadora. A maior parte das pessoas pensa que tudo me passa ao lado… mas desengane-se porque desta oportunidade, de estar tantos dias seguidos a descobrir gerações tão diferentes da minha, tenho tirado todo o proveito que posso.
De vez em quando desfaleço… a paciência corre-me dos dedos como areia… Mais um passo. Esta geração merece a minha compreensão.
Seguimos de volta ao hotel para jantar. E a proposta foi conhecer de seguida a cidade de Moscovo de noite.
A noite das luzes, dos reflexos. Reflexos sobre os rios que passam Moscovo, que transmitem os brilhos que iluminam a cidade. É fácil deslumbrarmo-nos com as cidades de noite. Como se de um homem que conhece uma mulher de noite e a passa com ela… O importante é vê-la ao acordar.. aí é que ela se revela.. Mas de noite “todos os gatos são pardos” e a atracção é uma reacção natural… muitas vezes é efémera…
Esta cidade, revelou-me encantos de noite mas não me desiludiu de dia.
A noite das luzes, dos reflexos. Reflexos sobre os rios que passam Moscovo, que transmitem os brilhos que iluminam a cidade. É fácil deslumbrarmo-nos com as cidades de noite. Como se de um homem que conhece uma mulher de noite e a passa com ela… O importante é vê-la ao acordar.. aí é que ela se revela.. Mas de noite “todos os gatos são pardos” e a atracção é uma reacção natural… muitas vezes é efémera…
Esta cidade, revelou-me encantos de noite mas não me desiludiu de dia.
A Catedral da Dormição é um templo de pedra branca que desperta todos os sentidos.. A visão é rica.. e engrandece-se mais com o cenário envolvente.. o aroma que está no ar é de encher as narinas..de nos sentirmos perfumados com a capacidade dos arquitectos que a criaram.
No caso Aristóteles Fioravanti.
No caso Aristóteles Fioravanti.
No hotel jantámos e sentei-me junto de uma senhora que acabou revelando que era autora de alguns livros.. Curiosa como sou e como estou nesta fase de descobrir em mim a vontade de escrever, bombardeei-a de perguntas. Os meus olhos pareciam saltar das órbitas da atenção que lhe estava a dar. Queria saber mais. Queria saber como. Nunca tinha conhecido pessoalmente um autor de um livro. Absorvi-me de tal forma no contexto que o resto das pessoas, talvez, tenha ficado á parte da conversa.
O meu avô, pessoa forte e rígida, levantou-se e disse á autora que a conversa o estava a aborrecer, que não sabiamos partilhar e que ela só sabia falar dela e do seu orgulho.
Sempre foi assim, o meu avô. Não faz por mal, fá-lo por ter sido educado com a rigidez de um seminário e talvez desconheça algumas regras de convivência. Mas na verdade, quem disse que isto da convivência tem regras? Possivelmente, a verdade tem de ser dita, nua e crua.
Sempre foi assim, o meu avô. Não faz por mal, fá-lo por ter sido educado com a rigidez de um seminário e talvez desconheça algumas regras de convivência. Mas na verdade, quem disse que isto da convivência tem regras? Possivelmente, a verdade tem de ser dita, nua e crua.
Todo este grupo me intriga. Somos 35 e de cada um teria uma história para contar. Algumas especulo-as eu.
A grande parte está numa fase que eu chamaria da fase do “Eu Tenho…”. Não é geral mas uns puxam os outros a entrar nessa fase… parece que a juventude que ficou para trás trouxe-lhes a necessidade de se revelarem desta forma: “Eu tenho isto e aquilo”, “Eu fiz isto e aqueloutro”…
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