
Ulan Ude fica na fronteira com a Mongólia. Pertence á Russia mas já se nota uma presença oriental.
Fomos visitar um templo budista, o maior deste género, na Rússia.
Todos os templos em que entrámos tinhamos de entrar pelo lado direito e sair pelo esquerdo. Ao sairmos, tinhamos de o fazer de costas, em sinal de respeito.
Os budistas parecem ser, mesmo, como nos filmes: calmos e tranquilos, de um despojamento tal que creio ser de uma coragem tremenda. Não sei se será da cultura… mas vivem tão desprendidos que é impressionante. Eu considero-me uma pessoa já tão desprendida, muitas vezes desprendida não só dos bens materiais..
Este desprendimento, muitas vezes, entra em choque com as pessoas. Esperam de mim coisas que eu não consigo dar… e a dificuldade é que não tenciono dar… iria contra a prioridade de manter a tranquilidade como função vital da minha vida.
De vez em quando quando tento quebrar esta barreira corrompe-se a linha que protege a minha tranquilidade. São poucas as vezes que o fiz e das últimas vezes foi para tentar uma aproximação entre as gerações. No caso com o meu avô.
Quando me pediu para fazer esta viagem, não posso dizer que era aquilo que mais me apetecia fazer. Os planos seriam ir com os meus amigos descontrair para o Algarve. Essa descontracção que eu ando em busca desde Novembro.
Tão simples… ir para o Algarve é a coisa mais curriqueira que pode haver. Mas o objectivo era esse. Descontracção, chinelo no pé e diversão.
O convite não veio na melhor altura, mas é sempre assim. Os desafios são isto mesmo. Se não houver nada para abdicar a dificuldade não é visivel.
Sentei-me a pensar e concordei que o meu avô merecia que fosse. Estava consciente da dificuldade que seria, porque sei que eu e o meu avô somos diferentes e apesar de sermos grandes amigos, uma viagem que proporciona tanta proximidade pode causar instabilidade. Pode. Porque, inevitavelmente, nos revelamos e revelamos o nosso eu mais desinteressante.
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