sábado, 8 de agosto de 2009

TRANSIBERIANO - 27/07/2009 - 5º DIA – Yekaterinburg (+ 5h que em Lisboa)


Passámos grande parte do tempo no comboio. Quando entrámos na Sibéria, propriamente dita, não sei porquê mas senti entusiasmo. “Estou na Sibéria, pá! … na Sibéria!!”, pensei para mim. E um sorriso estampou-se-me na cara.

É engraçado como a imaginação me levava a outros sitios quando pensava na Sibéria. Certo… , estamos no Verão e não há neve… até faz muito calor, mas sempre pensei na Sibéria como uma área muito montanhosa, taciturna de tão rispida que me transmitia ser. Imaginava as cabras montanhesas a subirem os montes encrespados cobertos de neve.
Mas… ainda só vi planícies. Grandes extensões de planicies, verdes, com uns quantos arbustos e umas quantas árvores… creio serem abetos. Ao longe uma estradinha onde segue um camião de transporte de mercadoria. Outro comboio que passa na linha do lado. Uma manada. Um bando de pássaros..
Mas não é propriamente uma desilusão.

Parámos em Yekaterinburg. Estivémos aqui pouco mais que 2h. Valeu a pena. Não porque a cidade fosse algo de extraordinário, porque o não era. Uma cidade sem grandes revelações, com alguns monumentos bonitos, como uma Igreja ortodoxa mas nada de excepcional.

O que mais nos interessou foi estarmos no ponto que separa a Ásia da Europa. E é no centro desta cidade que existe uma pedra. Uma pedra… bom… na verdade um calhau. Não muito grande, de um tom branco e rosado, completamente disforme que marca essa separação. E lá estive eu a tirar “a foto”. “Aqui estou na Ásia! Aqui estou na Europa!”.

Na cidade de Yekaterinburg foi onde mataram a familia dos Romanov, uma das dinastias dos czares, que só há pouco tempo, se descobriu como tinham sido brutalmente assassinados.

Foi um dia inteiramente de viagem. Voltámos ao comboio perto do meio dia. Meio dia para nós, menos 5h para Lisboa. A esta altura já acertei o relógio 2 vezes. Sempre a perder horas de sono.

Começo a sentir que uma viagem de comboio consegue ser mais agradável do que um cruzeiro. Apesar da ideia ser a mesma, de irmos parando em várias cidades, a sensação de independência é maior. Ou pelo menos a sensação de impotência que sinto quando vou num cruzeiro é grande. Saber que estou no meio do mar, sem acesso a nada causa-me alguns arrepios.
O comboio está em andamento, é um facto. Mas a terra está mesmo ali á mão. Sinto que se precisar posso sair.

A noite foi longa mas passou depressa. Os carris marcavam o passo do comboio como se fossemos a cavalgar e acabei por adormecer embalada por esse movimento. Os olhos foram-se cerrando por baixo das inúmeras estrelas que decoram o céu da Sibéria. Um céu inexplorado pela ausência de industrialização e desenvolvimento.

Sinto, cada vez mais, que as coisas simples têm mais valor para mim.

Sem comentários: