terça-feira, 21 de julho de 2009

TRANSIBERIANO - DIA MENOS UM

Estou tão cansada que sinto as dores do mundo nos meus joelhos..

Não... Não consigo dormir... Parece que dei o último fôlego há uns minutos atrás...
Cansei-me de debater este pensamento... o de ter que fazer.... "tenho que fazer isto... e aquilo..."

Uma coisa "tenho de fazer" agora... agora mesmo... a mala!

Mas não quero cair na idiotice que cai quando fui para Miami! Levar tudo, usar 40% do que levei e pagar excesso de bagagem antes de viajar!
Vou 15 dias. Vou levar 15 mudas: Nem mais nem menos. O que sobrar de espaço é para pôr os souvenirs...

Os souvenirs de uma viagem como esta.... nem imagino.... O que é que se compra na Russia, na Mongólia e na China que revele a experiência?

É como quando vejo as fotos onde estive... nunca mostram o que senti...

Quando vejo essas fotos faz-me lembrar a Alegoria da Caverna de Platão... A nossa realidade são as figuras que vemos projectadas na parede, exibidas por um fogo flamejante... e a verdade está por trás das nossas costas..

Mas porque é que não podemos olhar para trás? Estamos presos á nossa realidade...
E só acreditamos no que conseguimos ver...

Sempre acreditei que esta seria a viagem da minha vida... e agora que vou ver... sem o fogo flamejante, não me quero perder nas expectativas... e não quero ter barreiras culturais para poder compreender...

Será possivel ver este mundo com os olhos dos outros? Não quero aniquilar prematuramente o que ainda não vi... É uma constância do mundo...

segunda-feira, 20 de julho de 2009

TRANSIBERIANO - DIA MENOS DOIS


Menos um dia para O dia!

Já tenho mala... ainda não pus lá nada...


Tenho a mala vazia... em contrapartida a cabeça cheia..

Cheia de expectativas...

Já me imagino a chegar á grande metrópole russa, sentir as gentes da terra na minha pele... A ideia de estar na Praça Vermelha enche-me o peito de ar.


O hotel em que vou ficar em Moscovo... não me enche o peito... tira-me o ar ...


Só pela vista de olhos dá para compreender a razão...


domingo, 19 de julho de 2009

TRANSIBERIANO - DIA MENOS TRÊS

Importante é o caminho, não a meta.

Cheguei a casa há pouco...
Nem acredito que vou...
Faltam três dias para iniciar esta viagem e o meu espírito está inquieto.

Para mim a vista do transiberiano é todo o espanto do mundo...

Não preparei nada, não fiz nada, não sei da mala, não sei que levar, não sei que fazer!
Sei que vou.
Sei que dia 23 pela manhã vou chegar a Moscovo. E vou instalar-me no famoso transiberiano.
A promessa da descrição até aos pormenores sórdidos está aqui.

Talvez passe pelo http://www.onebag.com/ para me ajudar a fazer a mala. Não sei se será fácil devido ás circunstâncias. Na Sibéria não é só frio... é onde existe a maior amplitude térmica do planeta: 40 graus negativos no Inverno e 40 graus no Verão.

Estou a sonhar... 8 fusos horários... 9000 km... 2 continentes...
Vou ter de acertar o relógio oito vezes, porque vou SÓ atravessar a Ásia toda e uma parte da Europa.


A vontade de partir e a pressa de chegar misturam-se num sentimento explosivo...

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Cobiça da perfeição

Tens um olhar tão terno
Tudo em ti é perfeito
Será este amor eterno
Que trago neste meu peito?


Em ti tudo é simetria
O teu flanco, a tua frente,
Não te esqueço nenhum dia
Desde o passado ao presente

O sorriso que te pertence
Incomoda a alegria
E por muito que ela pense
Não pode roubar-to um dia

Teu olhar meigo de soslaio
Traz ternura ao fim de tarde
O escritor faz de ti ensaio
O destemido sente-se cobarde

Foste um desenho divino
Criado pelas mãos do céu
Será este meu destino?
Cobiçar o que não é meu?

Patrícia Prata, 15 de Julho de 2009

Agarrar o mundo com as mãos

Sinto-me capaz de tudo
De com as mãos agarrar o mundo
De no céu tocar com o dedo
De não sentir nunca mais medo


Quero fazer tudo o que sonhei
E dar-me como nunca me dei
Voar para além dos horizontes
Passar os rios e as pontes

Quero correr até me cansar
Nunca mais quero parar
Quero beber toda a água
Nunca mais quero sentir mágoa

Sinto-me doce como a romã
E como se não houvesse amanhã
Quero tudo fazer sem parar
Até todo o meu tempo se esgotar

Quero ver a lua noutro lado
Ter sempre o sinal de "ocupado"
Por não ter tempo para dar
Por andar sempre a voar

Mas não sei se isso é bom
Com a idade vem o juizo
E ainda não ganhei o dom
De saber o que preciso.

Patrícia Prata, 15 de Julho de 2009 - dedicado ao meu grande amigo Pedro

terça-feira, 14 de julho de 2009

Vem dilatar-me a alma


A alma dilata com o espirito
Comporta felicidade e dor
Tudo se agita com frémito
Tudo o que é livido tem côr


A alma tem sede de sangue
Tem raizes lapidescentes
Sua essência de uma mangue
É feita de penitentes

Canta com a força de um mar revolto
Cala-se no silêncio de uma noite perdida
Corre pelo mundo com o cabelo solto
Observa a lua na rua rendida

De um corpo sem alma, extinto
Não se tira quase nada
A alma perde o instinto
E a noite já não é alvorada

Dilata-me a alma, eu te peço
Rega-me de água sentida
Porque essa água é sem preço
É para a alma que me dá vida

Não quero neste corpo morar
Se a alma não o preencher
Vem com teu corpo dilatar
Este corpo que está a morrer

Sinto a alma a fugir
Deste corpo que está vazio
Já não posso garantir
Manter este corpo sadio

Se vieres a alma dilata
Porque o espirito cresce em mim
Não aguento, já estou farta
De viver a vida assim

É assim como te digo
A alma é incongruente
Não sente medo do perigo
Está sadia ou está doente

Vive de alimento escasso
Que existe em certos momentos
Segue no seu passo a passo
Perde-se em seus pensamentos

Vem dilatar-me a alma
Que é serena como a lua
O que quero é a sua calma
Que de noite me apazigua

Patrícia Prata, 14 de Julho de 2009

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Mãos no fogo

De mãos no fogo eu reajo
Á sombra deste desejo
Porque sinto que não ajo
Na promessa desse beijo


Aguardo essa cambraia
Que remata o meu amor
Como um pôr do sol na praia
Como um dia de calor

Perdida nesse tecido
De um algodão do mais puro
Um dia muito comprido
Da espera torna-se duro

Debato-me para chegar
Sem o fogo que me queima
Porque o medo de te amar
Angustia-me com freima

Esta obstinação
Torna-se cúmplice de mim
Causa-me perturbação
Esse teu cheiro a jasmim

Vai-te e leva esse fogo
Para longe da minha mão
Não quero entrar nesse jogo
Que é de facto uma ilusão

De mãos no fogo eu aperto
O desejo desse olhar
E por ser assim incerto
É que me faz afastar

Na certeza que é um sonho
Não aposto que é verdade
As mãos no fogo não ponho
Pois não tens maturidade

Vou de volta para casa
Com as mãos a abanar
Porque esse teu fogo arrasa
E não quero acreditar

Sei que o medo é cruel
Pois não deixa ser feliz
E poderiam as mãos ser mel
Se não ganhassem raiz

Mas o medo é mais forte
E decidi pelo não
Pode ser que eu tenha sorte
Que o fogo não me dê a mão.

Patrícia Prata, 13 de Julho de 2009

domingo, 12 de julho de 2009

Não te vejo da janela


Não te vejo das janelas
Cidade que me alimenta
E todos os dias te revelas
Da vista de outras ciumenta


Da janela não te vejo
Cidade da minha vida
E aquilo que é meu ensejo
É uma janela garrida

Não sintas ciumes da vista
Que tenho para outra cidade
Porque aquilo que me conquista
É a experiência da tua idade

Passas por mim na avenida
A ver se eu olho para ti
Fazes parte da minha vida
E da janela te perdi

Não entristeças tuas ruas
Por não teres o meu olhar
As minhas lágrimas são tuas
Por não te poder abraçar

Não te vejo cidade pura
Mas vejo-te na minha mente
Porque essa tua candura
Estará sempre em mim presente

Quero-te com esse rio
Que transbordas cheia de vida
Porque assim quando sorrio
Mostro a alegria que te é devida.

Patrícia Prata, 12 de Julho de 2009

Ser poeta


Ser poeta mexe com a alma
Mexe com o sangue das veias
Faz-te perder a calma
Faz-te ser fogo que ateias

Não precisas de comer
Nem da água sentir
As palavras são teu ser
A escrita é o teu sorrir

Nasce uma ideia nova
Teus olhos brilham de amor
Não existe maior prova
Quando te decides expôr

Ser poeta é não ter medo
De a alma arriscar a escrever
E pensar que sempre é cedo
Para mais um poema fazer

Não se dorme nem se cansa
De doar os sons ao mundo
Porque os poemas que lança
Vêm de um sentimento profundo

Enriquece os sons da vida
As folhas desse papel
São a terra prometida
São da noiva um anel

Porque o sangue das palavras
São como o terreno arado
Têm força quando o lavras
Dá-te amor quando é amado

Escreves na paixão do amanhecer
Deitas-te a pensar neste luar
Porque a primeira coisa a fazer
É escrever logo ao acordar

Ser poeta é devaneio
É viver numa quimera
É sentir-se num enleio
É viver na Primavera

Patrícia Prata, 12 de Julho de 2009

terça-feira, 7 de julho de 2009

Um dia pergunto-te o nome

Quando passares por mim na rua
Pergunto-te o nome, um dia
Peço coragem á lua
Ou se por mim ela o fazia

Gosto de te ver passar
Com esse olhar esguio
Queria tanto te chamar
E mostrar-te como sorrio

És o trago que não bebi
És o pão que não trinquei
Desde que eu te vi
Que por ti me apaixonei

Não sei como a ti chegar
Aproximar-me não devia
Vou continuar a procurar
Que a coragem me chegue um dia

Coragem de te perguntar
Que graça é a tua
Porque não posso mais esperar
Que por mim o faça a lua.

Patrícia Prata, 07 de Julho de 2009




segunda-feira, 6 de julho de 2009

Mudança


Pressinto uma mudança
Não só na minha vida
Na minh'alma também
Sinto algo que avança
Uma força desmedida
Que não sei de onde vem


Algo me diz para mudar
Mudar o meu sorriso
E a minha perspectiva
Sinto que me quero dar
Não só quando é preciso
Mas quando algo me cativa

Pressinto que a vaidade
Não faz ninguém feliz
Nem ser superficial
Nem traz a felicidade
É o que a experiência diz
Que tudo isto é banal

Quero mudar cá dentro
Ser melhor no mundo
Crescer como pessoa
Mudar o que é meu centro
Ter conhecimento profundo
Deixar de andar á toa...

Pressinto uma mudança
Isto vai acontecer
Não sei porque penso assim
Em breve será lembrança
O que estou a escrever
E a ler e reler para mim.

Patrícia Prata, 06 de Julho de 2009



sábado, 4 de julho de 2009

Sinto ciúme


Sinto ciúme da água corrente
Sinto vontade de a agarrar
Queria seguir nessa torrente
Queria seguir até ao mar

Sinto ciúme do sol nascente
Sinto vontade de o despertar
Queria sentir o seu ar quente
Queria como ele de manhã brilhar

Sinto ciúme da verde grama
Sinto vontade de a tocar
Queria que fosse a minha cama
Queria nela me deitar

Sinto ciúme de quem é feliz
Sinto vontade de o ser também
Porque tudo o que sempre quis
Foi fazer feliz alguém.

Patrícia Prata, 04 de Julho de 2009

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Irrequieta escrita


Irrequieta nesta escrita
Inquietude na mão que dita
Folhas que saem deste alimento
Cúmplice da alma que eu sustento


Perdida nas letras absortas
Provando ideias mais que mortas
Linhas de tinta saem para fora
De dia, de noite e a toda a hora

Cansada da noite já tardia
Levada pela escrita que é já vazia
Á procura da veia azul poeta
Indagando sobre uma ideia concreta

A espera é longa e tortuosa
Tem uma voz ruidosa
Perdura pela noite da lua
E vem uma ideia que é tua

Talvez a agarre para mim
Desculpa se vai ser assim
Mas a noite teve de partir
E eu não consegui dormir

Patrícia Prata, 01 de Julho de 2009

Que é do cheiro a rosmaninho?


Que é do mundo que se conhece?
Que é feito da primavera?
Que é das estrelas, quando anoitece?
Que é feito de quem sempre espera?


Que é do mar que enrola a onda?
Que é feito da cordilheira?
Que é do vento que faz a ronda?
Que é feito da doce ribeira?

Onde está, pergunto eu?
Aquilo que eu conhecia
Tudo desapareceu
Será que voltará um dia?

Porque só dei conta agora
Que tudo á volta mudou
Ou fui eu que fui embora
E tudo se transformou?

Preciso destas respostas
Para seguir o meu caminho
Que é feito daquelas encostas?
Que é do cheiro a rosmaninho?

Patrícia Prata, 01 de Julho de 2009

Olhar de menino


Esse teu olhar traquina
De menino mal comportado
Faz-me sentir menina
Faz-me querer estar a teu lado


Tens um jeito de sem querer
Parece até que nem tens jeito
Mas isso é o teu saber
De tirares o teu proveito

Sabes bem o que é que fazes
Fingindo não perceber
Não queres ser como os rapazes
Que se fazem logo entender

Vens de mansinho falar
Com um meigo e olhar querido
Dizes querer só segredar
Coisas doces no meu ouvido

Olhas pelo canto do olhar
Mostrando tua candura
Que não quero acreditar
Que seja assim tão pura

Mas afinal é verdade
Esse teu olhar traquina
Me faz sentir a saudade
De voltar a ser menina.

Patrícia Prata, 01 de Julho de 2009


Rosa Amarela


És uma rosa amarela
Não estás sozinha no mundo
Não te sintas tão distante
Não és desimportante
Não te deixes ir ao fundo
És como uma aguarela


Uma aguarela pintada
Numa tela de outras cores
Que sobressaem da folha
Como quem fez uma escolha
De entre vários odores
De uma rosa abençoada

És rosa que se sente perdida
És aquela que é tão diferente
Mostras-te altiva no meio
Mas só porque tens receio
De no meio de tanta gente
Pensar que foste esquecida

Esquecida na multidão
De um olhar só de soslaio
Pensas que és só tu que choras
Por contares todas as horas
Que és atingida por um raio
Que te corta o coração

És única por seres diferente
Não te sintas humilhada
Olha e vê essa côr
Que transporta tanto amor
O desespero não leva a nada
A côr dos demais só te mente

És uma rosa amarela
No meio de rosas vermelhas
Sobressais com a beleza
De uma certa pureza
Que não tem vincos nem gelhas
E que é simplesmente bela.

Patrícia Prata, 01 de Julho de 2009


Amor não concretizado


Segui na praia teus passos
Que o mar apagou da areia
Como se fossem compassos
De uma bela colcheia


Ao som da trilha sonora
Perdi-me pelo canto do mar
Mas porquê esta demora?
Não te consigo encontrar

Chamavam-me do mar as sereias
Diziam que estavas na água
Mas eu só via as teias
De uma pegajosa mágoa

Corri pela praia fora
Procurando por ti como louca
E só não me queria ir embora
Sem te ter beijado na boca

Desapareceste para além dessas dunas
Por trás desse aroma salgado
E a paixão desfez-se nas brumas
De um amor não concretizado

Patrícia Prata, 01 de Julho de 2009




Se pudesse...


Se pudesse uma ode compôr
Uma sinfonia de amor
Para mostrar-te tudo o que sinto
Para mostrar-te que nunca te minto


Se pudesse um quadro pintar
Uma Mona Lisa recriar
Para dizer-te com côr que é amor
Para dizer-te que és merecedor

Se pudesse ás nuvens voar
E ao céu azul te levar
Para ver a tua leveza de ser
Para ver-te espontâneo sem querer

Se pudesse dar-te o que queres
Se te pedisse que por mim esperes
Para contar-te o que o meu sonho me diz
Para contar-te que te quero ver feliz

Se pudesse tudo faria
E talvez o faça um dia
Para ter-te sempre de perto
Para saberes que o meu amor é certo

Patrícia Prata, 01 de Julho de 2009