segunda-feira, 22 de junho de 2009

O cálice carmim

O vinho doce levou-me
Um trago do teu olhar
Na tua face sem gelha
No teu leve respirar

Esse vinho que me deste
Embriagou minha alma
Careci do teu toque terno
Que me enchia de calma

No suspiro de uma videira
Molhei meus lábios cerrados
Como quem produz o aroma
De vinhos já destilados

Pelo encanto de uma uva
Encheste teu copo e o meu
Mordeste teu lábio salmão
De um modo que é só o teu

A garrafa chegou ao fim
Um tranquilo beijo me deste
O copo estava carmim
Do vinho que lá puseste

Deixa abraçar esse cheiro
Que tinge de vermelho esta cor
Porque aquilo que vem primeiro
Embriaga o meu amor

Essa cor de carmim aceso
Tempera a luz de grená
Traz-me o teu corpo para aqui
Vem ter comigo. Anda cá!

Foge desta lividez
Que te tira a côr do vinho
Estão no fundo do copo
Não o bebas sozinho

Deixa que te acompanhe
Na solidão de beber
Seja vinho ou champanhe
Que seja até adormecer

Patrícia Prata, 22 de Junho de 2009

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