quinta-feira, 18 de junho de 2009

Encanto da Ribeira


Sem querer encantaste a ribeira
Que passa a correr sem parar
Sentiu-te na margem sentado
A olhar como que encantado
Para a corrente que vai para o mar


A ribeira passou novamente
Sentiu teu cheiro a cereja
Provou tuas faces carmim
Deitou-se em teus olhos sem fim
Viu como tua alma flameja

Encantada, parou de correr
Queria voltar para trás
Parou de seguir para o mar
Já não pensava em voltar
Já não se sentia capaz

Encantaste a ribeira sem querer
Já não mais vai correr para o mar
O mar vai sentir sua ausência
Esse encanto foi sem prudência
E a ribeira vai parar

O mar vai tornar-se egoista
Se o deixares assim sozinho
Sabes que ele precisa da água
Deixas um rasto de mágoa
E o mundo torna-se um cantinho


Não deixes que esse teu encanto
Engane a ribeira assim
Podes dar-lhe a tua alma
Podes tornar a corrente calma
E dar-lhe tua cor carmim

O teu cheiro de cereja
Oferece-o á brisa do mar
Assim a ribeira vai querer
Continuar sempre a correr
Na esperança de te encontrar


Patrícia Prata, 18 de Junho de 2009





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