
A cotovia que espreita
Pela manhã desta cidade
Todos os dias rejeita
O passado que tem saudade
A cotovia é quem canta
Nos bairros da Madragoa
E que sem querer encanta
Quem passeia por Lisboa
O canto que se ouve na esquina
É sempre de uma cotovia
É de um sorriso de uma menina
É de uma alma que não está vazia
E nesta cidade tão bela
Que a cotovia conhece bem
O canto entrega-se a ela
E corre do Cais a Belém
Ela espera por mais um dia
Pousa no fim de tarde na proa
E é assim que a cotovia
Conhece os cantos a Lisboa
A cidade tem-na em seu leito
E não ousa esquecer-se dela
Porque a usa em seu proveito
Para se tornar mais bela
E a cotovia adivinha
Que a cidade tem muitas manhas
Sabe que é tua e minha
E sabe que a não apanhas
Porque a Cotovia regressa
Ás asas desta Lisboa
Chega sempre sem pressa
Pousa, pára e então voa.
Patrícia Prata, 30 de Junho de 2009
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