terça-feira, 14 de julho de 2009

Vem dilatar-me a alma


A alma dilata com o espirito
Comporta felicidade e dor
Tudo se agita com frémito
Tudo o que é livido tem côr


A alma tem sede de sangue
Tem raizes lapidescentes
Sua essência de uma mangue
É feita de penitentes

Canta com a força de um mar revolto
Cala-se no silêncio de uma noite perdida
Corre pelo mundo com o cabelo solto
Observa a lua na rua rendida

De um corpo sem alma, extinto
Não se tira quase nada
A alma perde o instinto
E a noite já não é alvorada

Dilata-me a alma, eu te peço
Rega-me de água sentida
Porque essa água é sem preço
É para a alma que me dá vida

Não quero neste corpo morar
Se a alma não o preencher
Vem com teu corpo dilatar
Este corpo que está a morrer

Sinto a alma a fugir
Deste corpo que está vazio
Já não posso garantir
Manter este corpo sadio

Se vieres a alma dilata
Porque o espirito cresce em mim
Não aguento, já estou farta
De viver a vida assim

É assim como te digo
A alma é incongruente
Não sente medo do perigo
Está sadia ou está doente

Vive de alimento escasso
Que existe em certos momentos
Segue no seu passo a passo
Perde-se em seus pensamentos

Vem dilatar-me a alma
Que é serena como a lua
O que quero é a sua calma
Que de noite me apazigua

Patrícia Prata, 14 de Julho de 2009

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