De mãos no fogo eu reajo Á sombra deste desejo
Porque sinto que não ajo
Na promessa desse beijo
Aguardo essa cambraia
Que remata o meu amor
Como um pôr do sol na praia
Como um dia de calor
Perdida nesse tecido
De um algodão do mais puro
Um dia muito comprido
Da espera torna-se duro
Debato-me para chegar
Sem o fogo que me queima
Porque o medo de te amar
Angustia-me com freima
Esta obstinação
Torna-se cúmplice de mim
Causa-me perturbação
Esse teu cheiro a jasmim
Vai-te e leva esse fogo
Para longe da minha mão
Não quero entrar nesse jogo
Que é de facto uma ilusão
De mãos no fogo eu aperto
O desejo desse olhar
E por ser assim incerto
E por ser assim incerto
É que me faz afastar
Na certeza que é um sonho
Não aposto que é verdade
As mãos no fogo não ponho
Pois não tens maturidade
Vou de volta para casa
Com as mãos a abanar
Porque esse teu fogo arrasa
E não quero acreditar
Sei que o medo é cruel
Pois não deixa ser feliz
E poderiam as mãos ser mel
Se não ganhassem raiz
Mas o medo é mais forte
E decidi pelo não
Pode ser que eu tenha sorte
Que o fogo não me dê a mão.
Patrícia Prata, 13 de Julho de 2009
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