quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Viver entre o excesso e a escassez

Havia os loucos que caminhavam a seu lado e os que a apanhavam no encalço para admirar a sua perfeição.

Quem a via não teria coragem de a achar louca. Talvez excessiva, talvez exagerada mas nunca demente. Quem a olhava tinha a sensação de viver curtas-metragens, umas a seguir às outras, cheias, novas, curiosas, atraentes, como se o último episódio que vivia nada tivesse a ver com o seguinte; como se a sua vida fosse um manto de retalhos, uns melhores que outros, uns maiores que outros, uns com mais sabor, com mais aroma, com mais ou menos força, com mais ou menos alma mas cheios, a transbordar e a derramar tagalhos a cada passada. Era assim que a viam, era assim que queria viver: entre o ter tudo ou perder tudo.

Patrícia Prata

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