terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Bariloche



A sensação de chegar a um aconchego, como se me fosse aninhar para ouvir o timbre das águas do lago… foi isso que senti quando cheguei a Bariloche.


Escondida no meio de montanhas e serranias, salta para o quadro como se fosse o Les Vessenots, apetece entrar e ver o que se passa dentro das casinhas de madeira que se abrigam nos geios dos acervos.


Os cabeços brancos e a sensibilidade de calor nos vales fazia pensar que algo não estava certo. Mas estava. Tudo perfeito. Era o sol que me afagava a face e o cerúleo claro dos tanques naturais que me debulhavam os entendimentos.


Tudo fazia sentido num mundo que não é perfeito mas que parecia ser. As cores conjugavam-se entre o céu, a terra e a água. O verde era mais verde naquela paisagem e o azul era mais real. Os cães com pelos que lhes tapavam o olhar não escondiam que estavam felizes por viver ali. Havia gente a correr, a andar, a tirar fotografias e a querer que tudo se amarrasse às suas memórias. Cada pormenor, cada detalhe não podia passar inobservado.


Ao fundo a maior montanha de todas mostrava a sua cor branca. Chamava-nos de longe para que a fossemos ver. Era o Tronador. E quanto mais gritava mais se percebia a razão do seu nome. Tronador… Trovão para nós. Quanto mais subíamos mais entendíamos. Sempre que parte do glaciar caia sobre as águas era como se um trovão caísse sobre nós. Um ruído imponente e que abraçava todo o vale. Sob ele sentíamo-nos pequenos, como se os 60 metros de altura do glaciar nos fossem esmagar a qualquer momento.


Lindo, grande, altivo, quase arrogante mas imperdível.



Patrícia Prata

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