Rita tinha uma saia comprida e folhada, a sua camisa parecia espartilhada e sentia o seu peito apertado contra si mesmo. Via-se como se inrompesse de folhas escritas pela mão de Cadalso. Como se da sátira aos costumes espanhóís surgisse o encantamento do exotismo cigano. Dançava com Pablo, noutra vida, era como uma reminiscência, uma memória esquecida pelo tempo de algumas vidas já passadas. Pablo apertava com sensualidade, a cintura de Rita. E ela sabia! Ela sabia dançar! Os olhares eram cúmplices, e apesar de ser outra época, a paixão era a mesma. O cenário eram os Cafés Cantantes, sítios onde os ciganos andaluzes dançavam e cantavam para ganhar a vida. Via um homem mais velho sentado numa cadeira baixa, toda vermelha e debroada a desenhos amarelos. Tocava guitarra com emoção, e era ele quem dava o ritmo aos passos dela e de Pablo. Sorria como se os conhecesse há anos. Aquilo era o flamenco, era o flamenco de Rita e de Pablo. Não era a técnica, mas a atitude, era um manifesto de almas.
Patrícia Prata, In my Second Novel
1 comentário:
"uma cadeira toda vermelha" ou "toda encarnada"....;)
Enviar um comentário