Pablo observava-lhe os seus cabelos longos que lhe caiam sobre o peito e um botão mal apertado da camisa, deixava revelar-lhe uma sensualidade não intencional. Ancorava-lhe a retina na camisa mal apertada e ao mesmo tempo receou que Rita percebesse e o interpretasse mal. Aqueles segundos foram os suficientes para saber de cor as ondulações do seu cabelo, o jeito como caiam sobre o seu peito e até quantas rugas tinham as falanges dos seus dedos. Ouvia as explicações de Rita, embriagado na doçura de um mel cristalino. Apetecia dar-lhe um beijo, mas não teria sentido. Ambos pensavam o mesmo mas nenhum tomaria iniciativa. As regras convencionais de trato a desconhecidos não permitiriam que isso acontecesse.
Patrícia Prata, In My Second Novel
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