terça-feira, 1 de setembro de 2009

Silhueta gravada

Apagaram-se algumas velas e o brilho dos olhos intensificava-se, vendo-se, apenas, silhuetas na sala. Sabia bem como era a de Paolo, tudo o que lhe dizia respeito estava gravado na minha memória. Todos os traços do seu rosto estavam impressos na minha mente. Era uma coisa nova para mim. Tantos pormenores deliciosos e eu não me conseguia separar deles.Sentada a ver o espectáculo, os meus pensamentos embrenhados na escuridão daquela sala, levavam-me duas filas acima. O cheiro das cerejas lembravam-me o sabor da sua boca. Queria olhar para trás mas a evidência prendia-me os músculos do pescoço. Ao mesmo tempo não queria que ele percebesse que o procurava, nem ele nem os demais.

Patrícia Prata, in My first novel

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