sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

(Re)visita

 

É sempre aqui que me encontro,

Neste caminho areado.

Não preciso de sinais,

Nem de passadeiras.

Não preciso de sentir o cabelo penteado

Nem de saber de cor as Janeiras.

 

Aqui não tenho medo que a roupa me assente mal.

Não quero saber se o buço está feito,

Se deixei o jantar preparado,

Se tenho um propósito ou só um fado.

 

Aqui só sinto.

Sinto sangue.

Sinto ar.

Sinto o rastilho a incendiar.

O arbítrio.

O real.

Sinto-me o ponto cardeal.

Tudo está bem.

Tudo está certo.

Como se o azul estivesse aberto.

Só para me acolher

Junto com o seu bando.

 

Que eu nunca mais me volte a esquecer

De me vir ver de novo, de vez em quando.


Patrícia Prata

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