sábado, 15 de janeiro de 2022

Cabras

 

Neste atalho

Oiço o que me circuita.

Vou-me içando.

Vou tombando.

O carreiro é meandroso… comentam.

“Não julgas como é o globo.

Tu lascas deduções.

Produz.”

Mas se este caminho é meu,

Se estes joelhos moídos são a razão do meu andar,

Se estas dobras lesionadas dos meus braços são o motor das minhas fibras,

Porque não me posso erguer nesta montanha assim como julgo?

Faz-me falta cair cem vezes.

Ou sem vezes mais cairei.

Não importa.

As cabras sempre chegam á pua.


Patrícia Prata

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