Arranquem-nos as veias maltratadas,
Suguem-nos o sangue das pálpebras até deixarmos de ver,
Cravem-nos as facas nas entranhas, deixem-nos na rua violados, acabrunhados…
Quanto mais revoltados,
Menos fome teremos.
É o povo que cai sobre os culpados,
Cabeças rapinadas dos cortiços arguidos.
Lutamos enfermos quase mórbidos das desgraças,
Olhamos lívidos, suas carcaças… humilhadas.
Ruborizada senda que passámos sem calcanhares,
De um país caído, depois levantado,
Nascem vidas livres sobre vidas encarnadas,
Com marcas nas mãos agrilhoadas.
As crostas das mãos já não nos esgaravatavam o ser,
Por mais que capitulassem e a ferida se abrisse
O sangue já não nos ofendia.
E o poderoso que se ria, morria
E o fraco que se aprumava, gargalhava.
Já não era demência ou desejo insalubre.
Eram as veias rebentadas da fortuna assaltada.
E deste sangue encarnado nasce a sagrada vitória
Derramado! Pregado no chão sob a morte do nosso irmão.
Tingido de vermelho vivo, o pai, a mãe e a filha,
Tomámos, sem sangue nas mãos, a Bastilha
Começou a Revolução.
Patrícia Prata
Suguem-nos o sangue das pálpebras até deixarmos de ver,
Cravem-nos as facas nas entranhas, deixem-nos na rua violados, acabrunhados…
Quanto mais revoltados,
Menos fome teremos.
É o povo que cai sobre os culpados,
Cabeças rapinadas dos cortiços arguidos.
Lutamos enfermos quase mórbidos das desgraças,
Olhamos lívidos, suas carcaças… humilhadas.
Ruborizada senda que passámos sem calcanhares,
De um país caído, depois levantado,
Nascem vidas livres sobre vidas encarnadas,
Com marcas nas mãos agrilhoadas.
As crostas das mãos já não nos esgaravatavam o ser,
Por mais que capitulassem e a ferida se abrisse
O sangue já não nos ofendia.
E o poderoso que se ria, morria
E o fraco que se aprumava, gargalhava.
Já não era demência ou desejo insalubre.
Eram as veias rebentadas da fortuna assaltada.
E deste sangue encarnado nasce a sagrada vitória
Derramado! Pregado no chão sob a morte do nosso irmão.
Tingido de vermelho vivo, o pai, a mãe e a filha,
Tomámos, sem sangue nas mãos, a Bastilha
Começou a Revolução.
Patrícia Prata
Sem comentários:
Enviar um comentário