quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

O suspiro da melancolia

Sei das tuas asas.
Conheço-as.
Sinto-lhe o sopro quando as bates uma na outra,
quando me dizes que tudo é efémero,
que se deve ignorar o vindouro porque é hoje que sentimos o corpo florescer.
É hoje…
E amanhã?
Sabes...
Não sei se te diga que fui eu que te dei asas...
Mostrei-tas no agasalho desta janela e partiste a dizer que o mundo amanhã acabaria.
E voltaste.
E partiste novamente todos os dias com as asas maiores.
Era porque não sabias que continuavas.
Perplexo com a ideia da humanidade não existir procuraste nas penas a vontade de voltar.

Mas quero que vás.
Que as penas que tens sejam suficientes para continuares a acreditar que o mundo existe tal qual o idealizas.
Sim... deixo-te voar... assim, sem conheceres as tuas asas
Porque só as conhecerás quando te aprontares a partir

Sei das tuas asas.
Conheço-as.
Sinto-lhe o sopro quando as bates uma na outra.
E mesmo que voltes com as asas crescidas, o agasalho da minha janela será maior
Não te preocupes...
Só suspiro de melancolia porque conheci a saudade.

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