domingo, 2 de janeiro de 2011

30/12/10 Buenos Aires




Dez da manhã.



É com calor que a cidade de Buenos Aires me recebe. Cheia de uma energia que traz uma canícula obstinada na ponta dos dedos. São esses dedos que nos tocam o pescoço quando a brisa nos diz que nos quer provar.

Não interessa de onde és. Aqui és da Argentina. Porque quando tocas com os pés no chão sentes que a terra te quer agarrar.

E as gentes…

São quentes vivos e cálidos nas palavras. Mesmo quando te dão afeições exaltadas é porque é assim que o seu coração bate. Não por desrespeito ou insolência, mas por energia e espontaneidade.

Ponho-me a correr porque quero ver tudo e o tempo é pouco. Tudo parece perto, tudo parece aqui e a seguir.

As ruas de Santelmo são estreitas mas longas. Caem-lhe os prédios sobre si mesmo, como se procurassem na sua idade mostrar a vida de outros dias. Em cada esquina há uma mercearia. A fruta colorida pinta-lhe as áleas de vermelho e amarelo, de verde e de laranja. Apetece comer-lhes a polpa!

Nas paredes vivem murais com palavras de liberdade, de socialismo. Algumas manifestam a saudade de Évita Perón, cantam-lhe hinos e poesias nos muros e libertam-se em palavras mais violentas.Na varanda da Casa Rosada, quase que a vemos por detrás das cortinas, é porque a alma dela ainda vive naquelas artérias. Parece procurar que o esquecimento a não apague.

As ruas são grandes. O que parece aqui perto é longe porque não lhe vejo o fim. Ando e ando até que as pernas ganham voz e choram de cansaço.

A plaza de los Dos Congressos è imponente: onde termina a Rivadavia e começa a Av. de Mayo.

Ando mais um pouco. A Plaza de Mayo é já ali.

Da Plaza de Mayo vê-se o Obelisco pela Rua Roque Sáenz Peña. Parece perto… mas são cerca de doze “quadras” como lhe chamam.

No caminho apanho a Florida. Cheia. Não sei se o calor vem do ar se vem das pessoas que ali passam. No chão as cores misturam-se em tecidos e em presentes para turistas. Dançam tango, cantam Bob Marley e tocam trompete. Não tem fim. A rua termina no Retiro.

Já não tinha a certeza de ter pés e continuei a andar. Há sempre mais qualquer coisa do outro lado da estrada que te chama a atenção. E as ruas grandes e perpendiculares camuflam a verdadeira distância e no engano andas mais um pouco.



Seis da tarde e chegava ao hostal.


Patrícia Prata

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