Sobe.
Sete vezes… que ela dorme nas colinas. Acorda embebida na chuva e sorri com vontade de lhe afagar a alma.
Era o vento que a puxava para o sopé.
Sete.
Quando lhe falou do castelo, olhou para a sua Graça. De lá via-lhe o azul dos olhos que lhe passavam por baixo do encarnado. Eram as cores. Eram cheias.
Cheias da candura dos carris que albergavam o fulvo corrente. Gritava pelo cabeço agarrada à força das pedras pretas. O limo fazia partidas como se fosse uma criança traquina e nas esquinas levava-lhe o aroma do rio, dos olhos que chorava por ver o cacilheiro partir.
Laranja.
Grande e ampla cá em baixo. Adivinharam a sua vida há tanto tempo que parece que as suas rugas vão sarando mas não passam.
Leva palavras. Não é o vento porque ela não deixa. É senhora delas. E o patriarca que vive no meio da praça fecha um olho porque sabe que não vê só. Ela que o deixa viver nas linhas da sua memória, nos desvãos furtivos que ela o abriga.
E mais sons. Da gorja que lhe grita debaixo para cima. Sete vezes. Nos rasgos que tocam o céu à procura umas das outras.
Patrícia Prata
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