“ … e subia a rua como se fosse apanhada no meio, eram os anos, era a memória que escorregava pela idade abaixo, era o medo da solidão e a incerteza de que a vida tinha valido a pena. Viajava nas rugas da sua face e já não lhes conhecia a razão. Houve tempos que conhecia cada uma delas, que sabia a razão da sua existência. Houve tempos que lhes dava nomes, lugares, datas… A frieza do esquecimento apartava-lhe a alma. Sabia que mais tarde ou mais cedo aquele entorpecimento a asfixiaria até que o ar deixasse de existir no seu corpo, até que se deixasse de lembrar quem eram os que a rodeavam, até que se deixasse de lembrar de si própria.
Velha.
Não. Preferia ser Maior, como dizem os espanhóis. Sem recordações mas Maior que antes. Maior que o mundo de que ela se lembrava.”
Patrícia Prata
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