O que ela mais queria era desprezar a insegurança, daquela que se cola ao cortiço como resina, envolvida numa embriaguez torpe e infame. O inebriamento quase obsceno por só lhe agitar o engenho, calcava-lhe a felicidade com rude força. Descobria-lhe as entranhas sem pudor. Aquele olhar não podia esconder. Queria mas não conseguia. Trazia na alma o verdadeiro bem querer. Daquele em que a felicidade reside no outro. Mas as palavras que ouvia eram como sentenças excruciantes.
Abstracção.
Difícil.
"Se não voltar é porque não tinha de voltar." - Como lhe doía pensar nisto. E arrumava-se num canto da sala.
Abstracção.
Sai à rua para ver e ouvir. Sai porque o frio lhe acorda a dolência. "Amanhã é outro dia. Amanhã vou acordar feliz e ditosa. " - E decidiu isto.
Patrícia Prata
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