quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Bem-querer sem querer

Era dia.

A luz feria-lhe os olhos e aprisionava o seu olhar por detrás da almofada. As mortalhas macias invadiam-lhe as pregas do corpo. Não queria despertar do sonho que estava a ter. Via Helena a correr-lhe para os braços. Os seus olhos azuis trespassavam-lhe a profundeza da alma.

Sabia com toda a certeza que a amava. Não que a amasse mais do que a outras mulheres que tinha amado. Mas amava-a da maneira mais bela que se pode amar alguém: sem esperar a reciprocidade. Era um bem-querer sem querer nada em troca. Precisava, apenas, de saber que ela estava bem, que era feliz, que o seu sorriso era autêntico.

Patrícia Prata

1 comentário:

Anga Mazle disse...

Muito bom, Patricia. Acho difícil à beça falar do amor com delicadeza sem excessos românticos e sem cair no lugar comum.

Beijos