"Tinha alguma amargura entranhada nos interstícios da alma e escondia-se no frenesi da vida que levava para não ter tempo de pensar nas suas penas.
Deixara de acreditar no afecto quando encontrou o amor e ele se alvorou por não ser aquilo que idealizava. Cresceu a admitir que o amor era a convergência de duas pessoas num único caminho, sem desvios, atalhos ou ramais. Não havia espaço para o espaço de cada um, haviam cedências e transigências que culminavam num único ser homogéneo e esquecendo-se que todas as pessoas são diferentes, que as suas necessidades são distintas mergulhava numa solidão quase insular.
Relacionava-se com os homens à espera de encontrar esse ser que se liquefaria na quimera de um amor sem defeitos. E nessa incessante demanda cruzava-se com outro tipo de malfeitores, eram os perversos do coração que por cada beijo trocado, ganhava uma chaga profunda, um estigma que aos olhos dos outros não se via. Servia apenas para erguer a incredulidade, para alimentar a desconfiança e a suspeita de que na vida a felicidade é a resignação."
By Patrícia Prata in My Second Novel
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