quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Estilhas das memórias

"Rita era mais insegura do que aparentava. Simplesmente queria tudo o que as outras mulheres queriam mas ficava à margem, esperando que a vulgaridade não a apanhasse. Sonhava com a paixão mas não se descalçava para pôr os pés na areia e quando chegava a altura de gritar, engolia a voz com medo que o mundo a ouvisse.

(...) Com o tempo revelavam-se-lhes os segredos como manigâncias inocentes, sem querer pôr a descoberto as suas fragilidades e incertezas, desenhava a cera um destino que não importava mas a gordura que lhe ficava nas mão revelava que no fundo queria saber.

(...) Rita colocava o olhar numa utopia que lhe servia de dossel ao seu imaginário, suspirava estilhas dos momentos que tinha gravado na sua memória. Já não sabia se tinham acontecido ou se tinham abraçado as suas histórias nas folhas de papel soltas que levava na pasta."

Patrícia Prata, in My Second Novel

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