Contra todas as probabilidades... viver depois... Se Deus me dissesse onde vou estar depois da efeméride funesta ... podia decidir se queria voltar a sentir ar nos pulmões. Assim morro todos os dias um pouco, à espera que a decessa me venha buscar.
Contra todas as probabilidades... sigo em frente por acreditar que a indulgência cobre, em certas ocasiões, o mundo e deixa que a Primavera renasça sem que as folhas secas de Inverno se agarrem ao chão.
Contra todas as probabilidades... vivo os dias como se fossem o primeiro de muitos outros, como se a vida não me fugisse. Porque o medo que tenho que o perdão não me contemple mais o olhar é tão forte como a vontade que o tempo passe sem o notar.
Contra todas as probabilidades... falo com a boca fechada, porque a dor no peito é tão forte que me come as palavras.
Contra todas as probabilidades, engulo o medo e espero que a noite passe depressa, que o sol volte com as flores da Primavera e que as folhas enregeladas pelo frio do inverno descubram que o seu lugar é debaixo da terra...
By Patrícia Prata
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