domingo, 4 de outubro de 2009

Na contra-luz da vida

Filipa tirava fotografias a todas elas e procurava a perfeita para si. Andava entusiasmada com a viagem, há muito tempo que procurava uma pausa daquele género, uma abstracção do peso da vida que levava. Procurava, como todas as restantes, livrar-se das imperfeições do dia-a-dia, dos detalhes menos agradáveis, das frustrações. Todas sabiam que eram apenas vinte e um dias. Mas gostariam que fossem como uma foto tirada contra o sol: a silhueta perfeita pela ausência de detalhes. Na contra-luz não se vêem imperfeições. Todas queriam viver nem que fossem apenas vinte um dias na contra-luz da sua vida.

Patrícia Prata, in My Second Novel

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