Não sei se reconheço o que escrevo
assim desta forma... a falta de tempo para ponderar deixa-me ansiosa. Cada
coisa tem o seu próprio tempo. Como ousar não respeitar o tempo que cada uma
demanda? Se o que redijo é sempre ponderado... sempre lhe é concedido o devido
tempo. Talvez seja necessário pausar antes de deixar fluir, talvez seja um
erro, talvez permitir que a corrente rompa as comportas seja surpreendente,
mas, sim, existe alguma reserva em mim. Este interstício, que decorre desde que
exprimo o que penso até que se materialize no papel, é o tempo preciso para a
colheita do fruto maduro. Menos tempo, e o fruto estará imaturo. Mais tempo, e
o fruto perecerá. Neste ímpeto de escrever de improviso, parece que se espera
que a vida inteira se dê nesse intervalo, nesse instante. Eu prefiro aguardar
pelo tempo devido das coisas e pelas coisas no seu devido tempo.
Contudo, há beleza nesta pressa,
nesta faísca que só a urgência pode acender. Há verdades que só emergem sob a
pressão do momento, sem o lapidar do tempo. Na diligência da expressão, talvez
haja uma autenticidade que a deliberação tende a polir em excesso. O coração,
ao ditar sem filtros, desvela mistérios que a razão, com o seu ritmo meticuloso,
muitas vezes oculta. E assim, nesta dança entre a precipitação e a paciência,
entre o arrojo e a ponderação, a escrita transforma-se num campo de batalha
onde tempo e tempo se enfrentam – o cronológico e o interior, o marcado pelo
relógio e o ditado pela alma. Talvez já devesse saber, que quem escreve, deve
ser um artífice capaz de equilibrar estes dois mundos, sabendo que no teclado
ou na caneta residem tanto o imediato quanto o eterno.
Patrícia Prata
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