sexta-feira, 24 de novembro de 2023

Fingir

Pausa, pausa... finjo que dela não preciso,

Engano-me a mim mesma, com mestria e arte.

Mas no silêncio, onde o tempo é indeciso,

Revela-se a verdade: que o meu peito a resguarde.

 

Finjo que a correria é o meu eterno fado,

Que na turbulência, o meu ser encontra abrigo.

Mas na ausência da inquietude, no caminho sossegado,

A pausa infiltra-se, subtil, como antigo amigo.

 

Nesse fingir, sou a poeta de cada dia,

Escondo a fome de um descanso tão humano.

Finjo não querer essa pausa, finjo bem, mas é engano,

Pois nela, secretamente, a minha alma se alivia.

Patrícia Prata

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