Eram três.
Permitam-me que fale assim sem quebrar, sem rosto, sem voz.
Com uma cana nas mãos, enche o bico com grãos… grão a grão…
Falta o pão, seca a boca, fica louca sem roupa, sem mais
tecido na pele…
Procura.
De manhã sai para a rua, nua… como sempre nua. Não! Não é da
lua! É da ausência.
Esta permanência.
Fica castigada. Não foi a mãe nem o pai. Foi a nação.
Presa por sentir que perdeu a mão. A mão que trabalhou,
cavou, semeou, colheu, cedeu, deu, viveu… mas não morreu.
Está viva. Acordada.
Então porque lhe devolvem nada? Fecham portas. Portas dela,
fecham também a janela e a ela…chamam de sorna…
Como? Se lhe negam a jorna…
Levam o puxador para os grandes, com lustro dourado e suor.
Estupor!
A culpa desses três diria oca, desculpa hipócrita, um murro
na boca, um estouro no cú! Foste tu!
Foste tu regência! Que me tirou o emprego e a carteira
enquanto falavas de fado para eu não perceber os porquês, enquanto tu culpavas
aqueles mesmo três!
Patrícia Prata
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