quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Por trás dos sulcos

Chegava fatigada, quase moída e derreada do empenho violento que levava todos os dias nas suas mãos. Eram mãos já amarrotadas pelos anos estóicos que lhe aconteciam nas veias. Não sabia viver de outra forma e apesar disso tinha consciência que tinha errado mas já não podia voltar atrás. Não chegava a ser um arrependimento nem uma contrição, sabia apenas que a vida que tinha levado não tinha sido a mais feliz. E tinha sido ela a fazer essa escolha. Quando olhava para a neta sorria-lhe por trás dos sulcos e dizia-lhe: “O amor não existe para nos fazer felizes. Existe para nos fazer mais felizes!” -e continuava a lida da casa na esperança que as palavras se arraigassem nas funduras da alma da neta.





Patrícia Prata

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