Rita manuseava as suas folhas soltas. Seria bom ir à Ilha de Todos os Santos. O nome da ilha suscitava-lhe um apetite invulgar. A sua imaginação dizia-lhe que aquela lezíria teria algo contemplativo, como se fosse lugar de devoção, quase místico. Não a conhecia. Nem de nome, nem de nada. Não fazia ideia sequer que era sítio conhecido para os surfistas. Aquela ignorância rompia-lhe a consciência. Germinava-lhe a noção que faz lembrar que somos pequenos, que o mundo é grande e que o tempo é pouco. Uma certa danação rasgava-lhe as têmporas: "Porque é que o mundo é tão grande se não o posso conhecer todo?".
Patrícia Prata, in My Second Novel
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