Maria sabia porquê, aquele mar chamava o passado e quando as ondas lhe cruzavam o caminho sentia-se a acender um pretérito já cansado de correr pela sua razão.
"Quando estou no mar sinto-me ausente de tudo e ao mesmo tempo mergulho num silêncio que me liberta do ruído da vida que levo, e este olhar de que falas não é de nenhum segredo que guarde, é da vontade que tenho em abraçar o horizonte e de não ficar somente a olhar. É ao mar que confesso os meus medos, as minhas ilusões e na água limpo as feridas que fecham com o tempo e na troca das ondas recebo sempre um sorriso, mesmo quando vivo entre a mágoa e a paixão. Este é o mar que conheço, que me deixa correr sobre as suas ondas. E esta é a explicação para o meu olhar longínquo, porque me agarro ao passado com tanta força que os meus ossos estalam de cobardia, de não me querer ablaquear e é só aqui que me esqueço e me desprendo e deixo que os músculos se descontraiam."
By Patrícia Prata in My Second Novel
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