segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Nas crateras dos vulcões

E quando te levantas a pensar que é desta?
Quando sais à rua com os cabelos na mão, presos nos dedos porque já te chegam ao chão?
Não te lembras.
Rogas pragas à memória.
Contas para ti própria uma história
Para te lembrares, para saberes que é de tudo isso que és feita
Mas mais ainda do que acreditas.
São as pernas incompletas, desfiadas que te atrasam o caminho. Mas são pernas que andam e que correm, porque na verdade o seu alento vem de dentro.
E aí estás tu.
Meretriz, sumida, perdida na vida, não sabes se és carrancuda ou só sisuda.
Achas que te dão cognomes nas costas e encostas para não ouvires. Está debaixo do teu braço.
Às vezes é só um abraço
Outras são línguas tortas, facas, serpentes, contentes por te matar, por te tirar esse alento que te vem de dentro.
E quando te levantas a pensar que é desta, continuas a partir tabique, a suplicar perdão, quando não!

Essa fenda não é tua. É da humanidade… que ainda não ganhou idade para deixar os juízos repousar nas crateras dos vulcões…

Patrícia Prata

Sem comentários: