E porque é que se arrisca a perder tudo quando se pensa que
ter pés é sensato?
A drapejar, conto-te eu que sei, é que se é feliz…
Mas e se te dizem que é melhor não ires que devias ouvir os pareceres
sensatos das pernas intactas, daquelas que ainda conservam os pés – na terra –
daquelas que não dobram a esquina, só porque apareceu ontem no mapa, daquelas
que não chutam as pedras porque o dia não foi perfeito…
Às vezes… quando bato com a cabeça no passeio e o sangue se
desdobra na calçada, chego a pensar que deveria ter ficado naquele dia igual a
todos… naquele dia em que acordo e bebo leite e como pão e vou trabalhar, ou
não, ou não…
Há dias… que sei que devo quebrar as correntes só para lhes
sentir a dimensão sobre a casca esfolada.
Amanhã, também, não
dobro a esquina.
Amanhã os pés crescem e desvio-me das pedras que hei-de
encontrar no caminho.
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