Iam para Mazatlán para trabalharem. Estavam a contratar pessoas para uma construção nova nos arredores da cidade. Não sabiam do que se tratava, apenas que havia a possibilidade de arranjar trabalho. Iam para a porta da empresa logo pela alvorada, na esperança de serem levadas para trabalhar naquele dia, como se fosse uma antiga praça de jorna. E aquilo não era visto como uma situação invulgar, simplesmente a tomavam como parte da inevitabilidade da vida deles. Não havia nem esperança nem expectativas. Naqueles olhares a morte já lhes tinha levado os sonhos. Tacanhos nos seus joelhos remendados pelos anos de trabalho e pela insipiência da fortuna, deixavam que a existência lhes passasse humilhada sob as alparcas.
Patrícia Prata
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